Projeto que veta publicidade de apostas esportivas em São Paulo mobiliza clubes e a Federação Paulista

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 25/08/2026 19:20
Projeto que veta publicidade de apostas esportivas em São Paulo mobiliza clubes e a Federação Paulista

Foto: via GE

Estima‑se que os três grandes clubes paulistas – Corinthians, Palmeiras e São Paulo – recebam cerca de R$ 350 milhões fixos por ano apenas com os patrocínios master nas camisetas, valor que pode ser ampliado por bônus, premiações e exposição de marcas em placas de campo e outros suportes.

O projeto, apresentado pelo vereador João Jorge (MDB), está em tramitação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Municipal de São Paulo. Nesta semana, a comissão concedeu parecer favorável à legalidade da proposta, permitindo que o texto avance no processo legislativo.

O texto determina a proibição de “eventos organizados por entidades públicas ou privadas, com ou sem fins lucrativos, amadores ou profissionais, realizados no Município de São Paulo, em espaços públicos ou privados”, abrangendo, no mínimo, placas, faixas e painéis em praças esportivas. As sanções previstas variam de multa de R$ 50 mil até o veto de realização de eventos por dois anos.

Nos últimos anos, as empresas de apostas esportivas tornaram‑se os principais parceiros publicitários dos clubes, elevando significativamente os valores pagos pela exposição nas camisas. Até 2023, o Corinthians mantinha contrato fixo de R$ 17 milhões anuais com uma farmacêutica; atualmente, uma operadora de betting paga R$ 150 milhões, além de bônus por metas.

O vereador justifica a iniciativa apontando o impacto das apostas na renda das famílias, sobretudo as de baixa renda, que têm comprometido parte de seus ganhos com jogos de azar. “Não se pode deixar de citar situações de endividamento, conflitos familiares e desestruturação emocional oriundos do vício em apostas, situação que demanda resposta firme e preventiva por parte do Poder Público”, afirma a proposta.

Com o parecer favorável da CCJ, clubes e a Federação Paulista de Futebol (FPF) iniciaram articulação para acompanhar a tramitação do projeto. Uma reunião entre representantes dos clubes foi realizada na última sexta‑feira, e o GE apurou que o tema também foi discutido em encontro recente entre um dirigente de clube paulistano e o prefeito Ricardo Nunes (MDB).

Entre os dirigentes, o temor é de que restrições aplicáveis apenas à capital criem desvantagem em relação a rivais de outros estados. O Flamengo, por exemplo, detém o maior patrocínio de camisa da história do país, R$ 268,5 milhões, pago por uma bet.

“Se os clubes da cidade de São Paulo perderem as receitas das marcas de apostas, uma de suas principais fontes de faturamento, enquanto adversários de outros estados puderem mantê‑las, haverá uma disparidade que chegará ao campo”, declarou o presidente da FPF, Reinaldo Carneiro Bastos. “Uma regra restrita à capital paulista vai enfraquecer os clubes diante de concorrentes nacionais e internacionais e comprometer, de maneira direta, a capacidade de disputar títulos.”

Especialistas corroboram a preocupação. O economista Moisés Assayag afirmou que a lei terá impacto negativo nas contas dos clubes de forma ampla, considerando o nível de envolvimento das bets com o patrocínio do futebol no Brasil. “O risco é gerar uma reação em cadeia. Sempre haverá substitutos para ocupar o espaço nas camisas, mas a dúvida é se haverá substitutos com o apetite de mercado que as bets têm atualmente. Além disso, o mero fato de três camisas relevantes estarem ao mesmo tempo disponíveis já ajuda a depreciar os valores em negociação com novos potenciais patrocinadores”, explicou.

O GE procurou Corinthians, Palmeiras e São Paulo para obter posicionamento, mas os clubes não se manifestaram até o momento.

Com informacoes de GE.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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