Prefeitura de Jacareí Avança com Desapropriação de Fábrica da Caoa Chery

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 11/08/2026 21:00
Prefeitura de Jacareí Avança com Desapropriação de Fábrica da Caoa Chery

Foto: via UOL

A Prefeitura de Jacareí (SP) decidiu avançar nos procedimentos para desapropriar a antiga fábrica da Caoa Chery, paralisada desde maio de 2022. A medida foi comunicada às duas sócias da operação por meio de um ofício, datado de 20 de julho, endereçado a Carlos Alberto de Oliveira Andrade Filho, presidente do Grupo Caoa, e a Cláudio Guowei Xu, gerente-geral da Chery International no Brasil.

No assunto, a Prefeitura registra o 'esgotamento do prazo concedido para apresentação de plano de retomada' e o prosseguimento dos trâmites administrativos de desapropriação. Segundo o município, o período concedido às empresas terminou sem que Caoa ou Chery apresentassem informações objetivas e atualizadas sobre a reativação da unidade.

Com isso, a administração municipal informou que dará andamento aos procedimentos internos necessários para editar e publicar o decreto de desapropriação do imóvel. Isso não significa que a fábrica já tenha sido desapropriada, mas confirma o início da etapa administrativa que pode levar à publicação do decreto e, posteriormente, à efetiva incorporação da área pelo município.

A fábrica de Jacareí tem capacidade nominal para produzir até 150 mil veículos por ano, mas está parada há mais de quatro anos. Quando anunciou a suspensão das atividades, em 2022, a Caoa Chery afirmou que a interrupção seria temporária e serviria para modernizar a linha e preparar a unidade para a fabricação de modelos híbridos e elétricos.

A expectativa divulgada na ocasião era de retomada até 2025. O prazo passou sem que a produção fosse reiniciada ou que um novo projeto industrial fosse anunciado. Procuradas, Caoa e Chery International não responderam até o fechamento desta reportagem.

A primeira cobrança formal mencionada no documento ocorreu em 3 de junho de 2025, quando o município pediu esclarecimentos às empresas. Caoa e Chery responderam uma semana depois, mas, segundo a Prefeitura, a manifestação não trouxe informações objetivas sobre os planos para o imóvel.

Em 4 de julho, a administração voltou a pedir uma reunião e comunicou a intenção de criar um IPTU progressivo para imóveis industriais subutilizados. A medida permitiria aumentar gradualmente a tributação sobre áreas mantidas sem função econômica.

No dia 21 daquele mês, a Prefeitura notificou formalmente as empresas sobre a possibilidade de reversão da doação ou desapropriação da área e concedeu um prazo inicial de 45 dias para apresentação de um plano de retomada. A pedido da Caoa e da Chery, o período foi ampliado para 12 meses, sob o argumento de que seria necessário mais tempo para estruturar uma proposta consistente de reativação.

Em abril deste ano, ainda sem uma resposta conclusiva, o município enviou uma nova cobrança e pediu que as companhias se manifestassem objetivamente sobre o interesse em construir uma solução consensual. Mesmo após comunicar o avanço dos procedimentos de desapropriação, a Prefeitura afirmou que permanece aberta ao diálogo, desde que seja apresentada uma proposta 'objetiva e concreta' para o imóvel.

A unidade de Jacareí foi inaugurada em 2014, ainda como uma operação própria da Chery, e apresentada como a primeira fábrica da montadora fora da China. A configuração do negócio mudou em 2017, quando a Caoa passou a controlar a operação brasileira da marca e assumiu pouco mais de 50% da sociedade.

A Chery permaneceu como sócia minoritária, com participação próxima de 50%. Sob a bandeira Caoa Chery, Jacareí produziu modelos como Tiggo 2, Tiggo 3X, Arrizo 5 e Arrizo 6. Quando a paralisação foi anunciada, os últimos veículos fabricados no local eram o Tiggo 3X e o Arrizo 6.

Com informacoes de UOL.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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