Por que Caiado, Zema e Renan não conquistam o eleitorado de direita
A Gazeta do Povo entrevistou analistas políticos para entender o que explica esse cenário. Sondagens eleitorais recentes mostram que os três pré-candidatos enfrentam dificuldades para converter projeção política em intenção de voto no primeiro turno.
Um levantamento do instituto Real Time Big Data divulgado no último dia 21 coloca o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na liderança no primeiro turno, com 40%, enquanto Renan Santos e Ronaldo Caiado aparecem tecnicamente empatados dentro da margem de erro, com 9% e 7%, respectivamente, e Romeu Zema, 2%.
Quando a sondagem se refere a um eventual segundo turno, o quadro é diferente. Caiado é o único dos três que aparece numericamente à frente de Lula (44% a 43%), em empate técnico dentro da margem de erro. Zema perderia do petista por 44% a 38%, se a eleição fosse hoje, enquanto Renan Santos registra 35% contra 44% de Lula.
A sombra de Bolsonaro sobre a direita: Alexandre Manoel, da Global Intelligence and Analytics, afirma que o principal obstáculo enfrentado por Caiado, Zema e Renan Santos é a força da liderança política construída pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Na avaliação dele, Bolsonaro consolidou uma relação com o eleitorado que extrapola propostas de governo.
Além disso, segundo ele, a imagem de Bolsonaro ficou associada ao enfrentamento ao establishment político, além de o ex-presidente ter ficado marcado como um alvo de perseguição política e judicial.
Para Alexandre Manoel, o desafio de Zema, Caiado e Renan Santos passa justamente pela construção de uma identidade própria sem romper com a base conservadora que continua enxergando Bolsonaro como sua principal referência política.
Prestígio político não garante eleição: Juan Carlos Arruda, diretor-geral do Ranking dos Políticos, diz que os três pré-candidatos possuem atributos expressivos, mas uma disputa presidencial exige muito mais do que boa reputação ou influência política.
Segundo ele, o momento também contribui para o baixo desempenho dos três nomes nas pesquisas. Como a direita ainda gravita em torno da figura de Bolsonaro, os pré-candidatos encontram dificuldades para ocupar um espaço próprio.
Falta de regras claras gera desconfiança sobre institutos de pesquisa: Paulo Kramer, cientista político, identifica outro fator importante: o desconhecimento dos pré-candidatos fora de seus estados de origem.
Segundo ele, Bolsonaro continua sendo a principal referência do conservadorismo brasileiro, enquanto Zema e Caiado ainda enfrentam dificuldades para alcançar projeção — e até conhecimento, de fato — nacional.
Com informacoes de Gazeta do Povo.

