Petróleo dispara: importância estratégica do Estreito de Bab el-Mandeb

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 11/09/2026 16:00
Petróleo dispara: importância estratégica do Estreito de Bab el-Mandeb

Foto: via O GLOBO

Com o petróleo acima de US$ 100, o mercado observa a crescente relevância do Estreito de Bab el-Mandeb, ponto estratégico que liga a Europa à Ásia através do Canal de Suez.

O nome em árabe do estreito significa "Porta dos Lamentos"; ele separa o Iêmen, na Península Arábica, do Chifre da África e mede aproximadamente 100 quilômetros de comprimento por 30 quilômetros de largura, estendendo‑se entre a cidade de Ras Menheli, na costa iemenita, e Ras Siyyan, no Djibuti, marcando a fronteira entre o Mar Vermelho e o Golfo de Aden.

Antes da guerra no Oriente Médio, o estreito já era responsável por 12% do fluxo global de petróleo em 2023, segundo a Administração de Informação Energética dos EUA (EIA).

Desde o início do conflito, a Arábia Saudita aumentou suas exportações de petróleo pelo porto de Yanbu, no Mar Vermelho, para contornar o bloqueio iraniano do Estreito de Ormuz. Entre março e julho, as exportações de Yanbu atingiram média de 3,8 milhões de barris por dia, cerca de cinco vezes o nível pré‑guerra; em agosto, o volume despencou para 1,5 milhão de barris por dia após o retorno dos ataques houthis a navios sauditas.

O tráfego pelo Canal de Suez caiu drasticamente em 2024, após ataques dos houthis a navios ligados a Israel, e ainda não se recuperou. Entre janeiro e agosto de 2026, o volume representou pouco mais da metade do nível pré‑crise, segundo dados do PortWatch do FMI analisados pela AFP.

Embora os houthis ainda não controlem diretamente o litoral que margeia o estreito, na quarta‑feira capturaram Mocha, a cerca de 70 quilômetros ao norte do estreito, e mantêm o controle do porto de Hodeida, mais ao norte. Desde julho, impuseram um bloqueio marítimo à Arábia Saudita e atacaram vários de seus navios, mas negam a intenção de fechar o Estreito de Bab el-Mandeb ou impor direitos de trânsito.

De acordo com o Instituto para o Estudo da Guerra, os houthis buscam aumentar o custo econômico e político da guerra para Riyadh, visando forçar a monarquia rica em petróleo a encerrar suas operações militares.

Após a guerra no Irã, a Arábia Saudita vinha ampliando exportações pelo Mar Vermelho, tornando o canal ainda mais vital para contornar o bloqueio do Estreito de Ormuz.

Um mal‑entendido fez a Petrobras anunciar um aumento da gasolina e depois recuar, segundo fonte citada pela AFP.

O subsídio maior para gasolina e diesel entrou em vigor, elevando o custo dos subsídios a combustíveis para R$ 37,5 bilhões até setembro, com o governo alegando que a alta do petróleo compensa a desoneração.

Fabio Graner analisou as escolhas políticas e econômicas do governo ao aumentar o subsídio para a gasolina.

Andreas Krieg, especialista em segurança do King's College London, afirmou que "o maior perigo não é necessariamente o fechamento físico de Bab el-Mandeb, mas a incerteza persistente".

A guerra no Oriente Médio eclodiu em 28 de fevereiro com ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, seguidos por represálias de Teerã na região. Inicialmente, os houthis permaneceram neutros, mas em julho permitiram que uma aeronave iraniana pousasse no Iêmen, apesar do controle saudita do espaço aéreo.

Com informacoes de O GLOBO.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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