Pequenos Gigantes: A Agricultura Familiar de Ribeirão Preto
A agricultura familiar é responsável por quase 80% dos contratos firmados no Plano Safra 2025/2026, ocupando um papel estratégico na segurança alimentar do país.
No entanto, recebeu apenas cerca de 12% do volume total dos recursos destinados ao crédito rural.
Para o professor de Economia e Política Agrícola da Unesp, José Giacomo Baccarin, a expansão da cana não elimina o espaço ocupado pelos pequenos produtores.
A população da região, quase na sua totalidade, mora nas cidades, demandando grande fornecimento de frutas, legumes e verduras, que poderiam ser fornecidos através da produção local.
A continuidade da agricultura familiar dependerá menos do tamanho das propriedades e mais da capacidade de produzir com eficiência.
A engenheira agrônoma Clarissa Chufalo Pereira Lima decidiu colocar essa ideia em prática na Fazenda Divindade.
Quando assumiu a fazenda, encontrou uma área marcada por pastagens degradadas e antigas lavouras de soja.
Em vez de repetir o modelo convencional, optou por recuperar o solo utilizando os princípios da agricultura sintrópica.
A propriedade distribui a produção ao longo do ano e reduz riscos provocados pelas oscilações do mercado ou pelas condições climáticas.
A comercialização ocorre diretamente com os consumidores, por meio de um cardápio digital complementado por produtos de parceiros.
No Jardim Paulistano, a tecnologia aparece como resposta para o mesmo desafio.
A propriedade de Paulo Pereira de Souza investe em tecnologia para produzir mais em uma área reduzida.
A agricultura familiar responde por grande parte dos alimentos que chegam diariamente à mesa dos brasileiros, mas convive com um paradoxo.
Para Baccarin, o acesso ao crédito rural representa apenas uma parte da solução.
O principal desafio está em criar condições para que pequenas propriedades consigam produzir mais, agregar valor ao que cultivam e gerar renda suficiente para competir.
A diversidade também funciona como estratégia econômica.
A comercialização ocorre diretamente com os consumidores, por meio de um cardápio digital.
Tanto a Fazenda Divindade quanto a Villa Verde optaram pela venda direta, reduzindo intermediários e fortalecendo a relação com os clientes.
Para acessar políticas públicas, como o Pronaf, o produtor precisa estar inscrito no Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF).
Com informacoes de Revide.

