Pastilhas para limpeza de máquinas de lavar: funcionam mesmo? Entenda o que dizem especialistas
Nas redes sociais, circulam vídeos que apresentam pastilhas anunciadas como capazes de "esterilizar" a máquina de lavar, removendo resíduos que se acumulam nas partes internas do equipamento. A dúvida que surge é se esses produtos são seguros e realmente deixam o interior da lavadora limpo.
O primeiro ponto a analisar é o próprio vocábulo "esterilização" usado por algumas marcas. Gabriela Potiens, gerente de produtos de linha branca da Samsung Brasil, esclarece que esse termo pressupõe a eliminação total de todos os microrganismos, inclusive esporos de alta resistência – algo que uma pastilha doméstica não consegue garantir. Ela afirma que os termos corretos para esses produtos são "limpeza" ou "higienização".
Mesmo não atingindo a esterilização completa, as pastilhas não são totalmente inúteis. Douglas Dela Coleta, técnico de linha branca da Abastec Assistência Técnica, aponta que o uso cotidiano das lavadoras gera acúmulo de resíduos de sabão, amaciante, gordura, fiapos e pelos em áreas que o usuário normalmente não vê. Parte desse material adere às paredes do tanque e ao cesto. As pastilhas, segundo ele, costumam conter agentes alcalinos, tensoativos ou oxidantes que se dissolvem e circulam com a água, ajudando a soltar parte desses depósitos.
A eficácia, porém, depende do grau de sujeira já presente. Quando a máquina recebe manutenção preventiva desde os primeiros meses, o produto pode colaborar na redução de grandes formações de sujeira ao longo do tempo. Dela Coleta recomenda iniciar o uso da pastilha como medida preventiva nos primeiros meses de uso, ressaltando que, se a sujeira já estiver muito impregnada, a ação será limitada e pode ser necessária uma limpeza mais profunda.
Pedro Borges, supervisor técnico da assistência Porto Tec, destaca outra limitação importante: as pastilhas podem percorrer as tubulações, mas nem sempre conseguem desprender materiais que ficaram aderidos por meses ou anos. Ele afirma que, embora alcancem partes menos acessíveis, o que realmente remove a sujeira é o esforço mecânico. Muitas lavadoras passam um ano sem nenhuma limpeza, o que, segundo ele, não é suficiente para garantir a higienização adequada.
Quanto à cor da água ao final do ciclo, Dela Coleta explica que a água escura pode conter biofilme formado pela mistura de sabão, amaciante, gordura e microrganismos, além de possíveis depósitos minerais e partículas de ferrugem. A presença desses resíduos indica que alguma sujeira foi desprendida, mas a cor por si só não comprova que todo o interior esteja limpo. Em máquinas antigas, o processo pode liberar bastante material, mas ainda permanecerão depósitos em áreas internas; Borges reforça que, nesses casos, a pastilha pode remover apenas a camada superficial.
Antes de inserir qualquer produto no cesto, a orientação das fabricantes deve ser consultada, pois as recomendações variam conforme o projeto de cada modelo. A Samsung, por exemplo, não recomenda nem exige o uso de pastilhas em aparelhos equipados com a função Lavagem Eco do Tambor. Segundo a empresa, esse ciclo utiliza água e alta rotação para limpar o interior e o próprio equipamento sinaliza o momento adequado para a higienização, que ocorre a cada 40 ciclos. O uso de produtos químicos adicionais poderia gerar excesso de espuma, resíduos não enxaguados e desgaste desnecessário dos componentes.
Já as marcas Brastemp e Consul, pertencentes ao grupo Whirlpool, adotam outra postura. De forma geral, a Whirlpool orienta o uso de produtos específicos recomendados por cada linha, embora o detalhamento completo não tenha sido divulgado na fonte consultada.
Com informacoes de Canaltech.

