Operação contra agiotas em Goiás e DF prende 11 suspeitos e bloqueia R$10 milhões
Uma ação policial realizada na quinta‑feira, dia 10, resultou na captura de onze indivíduos suspeitos de praticar agiotagem em Goiás e no Distrito Federal. As investigações apontam que o grupo cobrava juros de vinte por cento ao mês e recorria a ameaças de morte e violência para efetuar as cobranças.
O vídeo divulgado pela polícia mostra Adailton Fernandes de Oliveira, identificado como o responsável financeiro do esquema, contando notas sobre um sofá e formando uma espécie de "montanha" de dinheiro. Durante a gravação, o suspeito brinca sobre a quantidade de notas que precisará contar durante a noite e faz referência à sua suposta ascensão econômica.
Segundo a apuração da TV Anhanguera, Adailton declara: "Olha o saco aí que eu despejei, tem que contar, vou passar a noite todinha contando dinheiro. Antigamente eu corria atrás do dinheiro, agora o dinheiro corre atrás de mim, tenho que agradecer a Deus. A gente junta de saco. Dinheiro rápido, olha a potência de Goiânia".
O esquema seria comandado pelo sargento aposentado da Polícia Militar de Goiás, José Luiz Silva Sá. A defesa do sargento e de Adailton Fernandes de Oliveira afirmou que não teve acesso integral ao inquérito, que permanece sigiloso, e que pretende apresentar pedido de habeas corpus para que os acusados respondam em liberdade.
A Polícia Militar de Goiás esclareceu que o sargento encontra‑se na reserva remunerada, sem vínculo com o serviço ativo, e que a Corregedoria acompanha o caso, prometendo adotar as medidas cabíveis quando necessário.
Entre os itens apreendidos na operação estão oito carros de luxo, diversos celulares, armas de fogo e o bloqueio de bens avaliados em dez milhões de reais. Os investigados deverão responder pelos crimes de extorsão, organização criminosa armada e lavagem de dinheiro.
Mensagens trocadas entre os membros do grupo revelam o uso da suposta liderança policial como forma de intimidação. Uma das mensagens afirma: "Minha equipe vai receber de você de qualquer jeito. Qualquer coisa, meu chefe é policial, faz uma denúncia e abre processo também. Vai ser mais caro para uma garota trapaceira e desonesta que não tem palavra". Em outra, lê‑se: "Ele vai procurar você aí loirinha. A dívida tem que ser paga".
De acordo com a polícia, o sargento José Luiz realizava as cobranças presencialmente, armado e de maneira violenta. O grupo teria movimentado, em cerca de oito meses, a quantia total de dez milhões de reais.
A investigação teve início no ano passado, quando um comerciante da Feira dos Goianos contraiu um empréstimo com o grupo e, ao não conseguir quitar a dívida, foi alvo de ameaças a ele e a seus familiares. As autoridades pediram que as vítimas mantenham as conversas intactas, pois estas servem como prova.
Em outros desdobramentos, o processo contra o coronel Raiado e o tenente‑coronel da PM, denunciados por supostamente executar piloto do PCC e mecânicos, foi arquivado pela Justiça; uma ação da Polícia Militar resultou na morte de cinco homens em Goiás; e um empresário que tentou denunciar um agiota teve seu carro danificado, segundo informações policiais.
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Com informacoes de G1.

