Onimusha: Way of the Sword – Review completa da Capcom e análise se vale a pena jogar

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 04/09/2026 19:20
Onimusha: Way of the Sword – Review completa da Capcom e análise se vale a pena jogar

Foto: via Omelete

Uma nova temporada de Mobland vem aí! Novo jogo da franquia torna a experiência de quem o testa tão tortuosa quanto a do personagem.

"Viver é sofrer" é uma das frases mais marcantes ditas por um personagem em Onimusha: Way of the Sword, o reboot da Capcom que transforma sua antiga franquia de terror num ótimo jogo de ação samurai.

Entre os espíritos Oni e os monstros Genma, o jogador que embarcar na jornada do guerreiro Miyamoto Musashi vai entender o significado dessa fala tanto como uma realidade imediata — já que você sofrerá para derrotar todos os inimigos — quanto um bom resumo dos temas da história, que muito foca na ideia do prazer em ser desafiado.

Para Musashi e seus aliados, o obstáculo narrativo é imenso. O portal para o inferno foi aberto e cabe a eles salvar o Japão. Para o jogador, o obstáculo vem na jogabilidade. Se a jornada dos protagonistas for de dor, quem o controla será igualmente desafiado.

Onimusha começa com Musashi morrendo. Prestes a cair no inferno, ele volta à vida depois de receber uma misteriosa manopla que o abastece com o poder dos Oni, seres espirituais que podem conceder dons ou maldições aos humanos.

Com a manopla em mãos, ele assume, no princípio de forma relutante, a missão de derrotar os Genmas, demônios nojentos que estão invadindo Quioto sob o comando de figuras terríveis.

Nessa jornada, conquistamos novos poderes e evoluímos nossas habilidades para encarar algumas das lutas mais intensas, difíceis e cinematográficas de um videogame em algum tempo.

O novo Onimusha bebe um pouco dos Resident Evil mais recentes, misturando fases lineares com um mini‑mundo aberto que pode ser descoberto aos poucos, e de Monster Hunter, ao criar um combate focado em parries (aparadas e desvios) e na quebra de equilíbrio dos adversários, feita ao reduzir à zero a barra de vigor deles.

Este jogo, porém, não é um monstro de Frankenstein que apenas bebe das outras grandes marcas da Capcom. Onimusha chega com um estilo próprio, que valoriza atenção e reflexo nos combates, e que brilha especialmente na hora de enfrentar alguns dos chefões mais marcantes que vi em algum tempo.

Depois de um começo pra lá de morno (a primeira hora e meia é basicamente um mix de tutorial e cutscenes), ficará evidente como o combate do jogo foi bem construído, inclusive pelo layout de botões.

Se o jogador escolher a opção de controle mais ofensiva (recomendado), coisas típicas como atacar no quadrado são substituídas por uma organização de comandos que privilegia a leitura rápida da situação, algo indispensável para sobreviver aos encontros mais violentos.

As boss fights de Onimusha flutuam, na sua enorme maioria, entre divertidas e inesquecíveis. São enfrentamentos que requerem do jogador um conhecimento íntimo das mecânicas de ataque, que se entrelaçam muito bem para criar uma fluidez digna de samurais entre os golpes de espada e o uso de habilidades sobrenaturais.

O equilíbrio da dificuldade também é um destaque. Um acerto constante do timing para defesas, esquivas e contra‑ataques pode reduzir um adversário ao pó em minutos, mas arrogância ou timidez excessivas podem custar caro.

Nem toda derrota vem com frustração; há a sensação de que o domínio daquele balé de katanas está a uma tentativa de ser adquirido, bastando tentar mais uma vez.

A direção de arte transforma Quioto num pedacinho do inferno digno de um jogo de terror como os antigos Onimusha, e a construção de personagem molda Musashi – no rosto e no comportamento – à imagem da lenda Toshiro Mifune em filmes como Sete Samurais, meio palhaço, meio heroico, sempre carismático.

Entretanto, o jogo não sabe a hora de terminar, e isso pode deixar a reta final da campanha frustrante. O jogador perde a conta de quantas vezes recebe o objetivo de fechar as "fendas" (pequenos portais por onde os Genma saem) e dois chefões são transformados, essencialmente, em subchefes que são enfrentados diversas vezes.

Essa repetitividade é piorada pelo sistema de progressão pouco interessante. Não importa o quanto se invista em melhorar os pontos de ataque, a sensação é de que os inimigos sempre demoram o mesmo tempo para morrer.

A exploração e as sidequests de Onimusha são insossos e até entediantes, assim como suas recompensas. Como elas tipicamente são itens que podem ser usados em upgrades, é mais fácil confiar que se conquistará recursos suficientes na história principal e não gastar tempo nessas atividades secundárias.

Facilmente durando entre 25 e 30 horas, Onimusha é longo demais para o próprio bem. A questão não é tanto a duração, mas sim a qualidade daquilo que faz o game superar uma duração média.

Com informacoes de Omelete.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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