O Sol pode esconder um perigo maior para a Terra
Uma nova pesquisa publicada na revista Nature sugere que as tempestades solares mais intensas podem provocar impactos muito maiores na Terra do que indicavam as estimativas atuais. Durante anos, os cientistas acreditaram que existia um limite para a forma como a Terra respondia às tempestades solares mais intensas. Agora, essa ideia começa a ser questionada.
O novo trabalho indica que esse “teto” pode ser resultado da maneira como o vento solar vinha sendo medido. Se isso estiver correto, os eventos mais extremos podem ser muito mais severos do que se imaginava. As tempestades solares acontecem quando ejeções de massa coronal e explosões solares lançam partículas carregadas em direção ao planeta. Em situações comuns, elas produzem auroras. Nos casos mais intensos, porém, também podem afetar tecnologias essenciais.
Para testar essa hipótese, a equipe analisou mais de um milhão de medições feitas por espaçonaves da NASA posicionadas muito mais próximas da Terra. Os resultados indicaram que as correntes elétricas da alta atmosfera continuam aumentando conforme o vento solar fica mais intenso. Ou seja, o limite apontado por estudos anteriores pode simplesmente não existir. Entre os principais resultados estão: Mais de um milhão de medições foram analisadas; Tempestades solares extremas podem ser mais intensas do que se estimava; Satélites, GPS, rádio e redes elétricas estão entre os sistemas mais vulneráveis; Eventos muito raros podem provocar impactos superiores aos previstos atualmente.
Segundo um dos pesquisadores, “felizmente, esses casos muito extremos são raros, mas isso também significa que temos poucos dados para analisar. Só o tempo dirá o que acontece em um evento extremo que ocorre uma vez a cada mil anos.” A pesquisa não prevê que uma supertempestade solar esteja prestes a ocorrer. Ainda assim, ela reforça que os modelos usados hoje talvez precisem ser revistos.
O passado já mostrou o tamanho do risco. O Evento Carrington, em 1859, interrompeu sistemas telegráficos em várias partes do mundo. Em 1989, uma tempestade derrubou a rede elétrica de Quebec, no Canadá. Já as Tempestades de Halloween, em 2003, afetaram satélites, GPS e comunicações por rádio. O Sol atravessa atualmente o máximo solar, período do ciclo de cerca de 11 anos em que explosões solares e ejeções de massa coronal se tornam mais frequentes.
Em maio de 2024, a tempestade geomagnética mais forte em mais de duas décadas levou auroras a regiões incomuns dos Estados Unidos e da Europa, além de provocar interrupções temporárias em comunicações por rádio, equipamentos guiados por GPS e parte das operações de satélites. Apesar da repercussão, esse episódio ficou muito abaixo da intensidade do Evento Carrington e das tempestades extremas consideradas possíveis pelo novo estudo. Se essas novas estimativas estiverem corretas, compreender o comportamento do clima espacial poderá ser decisivo para proteger uma infraestrutura cada vez mais dependente de satélites e redes elétricas.
Com informacoes de Olhar Digital.

