O Cinema de Heróis: Um Novo Capítulo
O recorde de Homem-Aranha: Um Novo Dia em seu primeiro dia nos Estados Unidos, com estimativas de US$ 167 milhões, superando Vingadores: Ultimato, não provam que a crise do gênero acabou, mas sim que o gênero pode estar em baixa enquanto uma de suas maiores franquias quebra recordes.
Essa distinção é importante porque o gênero de super-heróis tem suas marcas de primeira prateleira, como Batman, Homem-Aranha e Vingadores, capazes de mobilizar um público que ultrapassa o fã habitual. Outras franquias, no entanto, ainda precisam construir essa relação, como visto nos casos de Thunderbolts, que terminou sua passagem pelos cinemas com cerca de US$ 382 milhões, e Quarteto Fantástico: Primeiros Passos, que chegou a US$ 522 milhões, números consideráveis, mas problemáticos diante de orçamentos próximos de US$ 200 milhões e da expectativa criada pela Marvel.
Um paralelo interessante está no gênero de terror, onde uma sequência de Halloween, Pânico ou O Exorcista pode fracassar sem que ninguém anuncie a morte dos filmes de terror. Algumas séries atravessam décadas, outras desaparecem, e novas marcas surgem com propostas menores, baratas e muito específicas, como Invocação do Mal, que começou com orçamento de US$ 20 milhões e deu origem a um universo de mais de US$ 2 bilhões, Noite do Crime, que nasceu por US$ 3 milhões e virou uma franquia de cinco filmes, e M3GAN, que custou US$ 12 milhões, arrecadou US$ 182 milhões, mas tropeçou na continuação.
O gênero de super-heróis começa a consolidar um ecossistema semelhante, com gigantes que justificam investimentos enormes, personagens intermediários que precisam de controle, e apostas que podem nascer sem a obrigação de salvar um universo inteiro. Exemplos disso incluem o primeiro Deadpool, que custou cerca de US$ 58 milhões antes de arrecadar US$ 782 milhões, Coringa, que reduziu a escala e transformou um vilão conhecido em um drama criminal para adultos, e Cara de Barro, com orçamento estimado em torno de US$ 40 milhões, que parte da mesma lógica de utilizar a familiaridade com o universo sem exigir o tamanho, o risco e a fórmula de um blockbuster de US$ 200 milhões.
O problema é que parte dos fãs e da própria indústria ainda enxerga cada lançamento como capítulo de uma única história, o que faz sentido devido à forma como a Marvel construiu sua hegemonia, conectando filmes até transformar Ultimato em conclusão coletiva de uma experiência de 11 anos. No entanto, essa abordagem pode levar a uma sobrecarga de expectativas e uma falta de criatividade, tornando os filmes mais uma tarefa de casa do que uma experiência de entretenimento.
A consolidação desse ecossistema é boa para o cinema de herói e para o cinema como um todo. O MCU foi o Big Bang que espalhou personagens, formatos e possibilidades por toda a indústria, mas nenhum Big Bang permanece para sempre em estado de explosão. O que vem depois é a formação de sistemas diferentes, alguns enormes, outros menores, alguns estáveis e muitos fadados ao desaparecimento. Os super-heróis continuarão entre as maiores forças de bilheteria e popularidade do cinema, mas não de maneira inequívoca, automática ou livre de fracassos.
Com informacoes de Omelete.

