Narwhal: cientistas revelam como o “chifre” de até 3 metros permanece reto

Por Theodoro Augusto Martins em Rio Verde, GO 25/08/2026 09:12
Narwhal: cientistas revelam como o “chifre” de até 3 metros permanece reto

Foto: via Olhar Digital

Um dente que pode chegar a três metros de comprimento e permanecer surpreendentemente reto foi analisado por uma equipe internacional de biólogos, que agora explica o mecanismo por trás da famosa “presas” do narval.

A estrutura, que na verdade é um dente, nasce a partir do canino esquerdo dos machos, atravessa a mandíbula e o lábio superior até ficar totalmente exposta. O canino direito, ao contrário, permanece alojado dentro do crânio.

Na Idade Média, essas presas eram comercializadas como chifres mágicos de unicórnios, alimentando lendas sobre criaturas míticas.

Henrik Birkedal, químico da Universidade de Aarhus, Dinamarca, e autor principal do estudo publicado na Nature Communications, comparou a dificuldade de carregar a estrutura a “andar de bicicleta com uma vassoura amarrada à cabeça”.

Para chegar ao resultado, a equipe utilizou técnicas de imagem tridimensional por raios‑X em três aceleradores de partículas europeus, os chamados síncrotrons, permitindo visualizar a microanatomia em detalhes.

O dente apresenta dentina na parte interna e cemento na camada externa. A dentina forma uma espiral que gira para a direita, enquanto o cemento forma outra espiral que gira para a esquerda; a combinação dessas duas helices gera a aparência reta da presa, ao contrário das curvaturas observadas em dentes como os dos elefantes.

Os pesquisadores compararam o processo a um parafuso que, ao invés de avançar para dentro da madeira, se desloca para fora da cabeça do animal a cada volta.

Dentro da estrutura foram identificados anéis de crescimento semelhantes aos das árvores, que podem servir como registros da vida do narval, cuja expectativa de longevidade chega a 80 anos.

Os exemplares analisados incluíram presas preservadas em museus e amostras obtidas por caçadores inuítes da Groenlândia.

A função exata da presa ainda não está definida. Hipóteses como uso na caça ou na detecção de variações de temperatura e salinidade foram consideradas menos prováveis, já que o órgão se desenvolve quase que exclusivamente nos machos.

Uma explicação mais plausível apontada por Mads‑Peter Heide Jørgensen, coautor da pesquisa e pesquisador do Instituto de Recursos Naturais da Groenlândia, seria a utilização da presa como ferramenta de demonstração de dominância ou atração sexual, apoiada por observações de dois machos comparando suas presas na presença de uma fêmea.

Martin Nweeia, especialista em presas de narval da Universidade Harvard que não participou do estudo, propôs que a estrutura possa funcionar como um sofisticado órgão sensorial, avaliando a pesquisa como “mais uma valiosa contribuição para o conhecimento da microanatomia e da morfologia da presa do narval”.

O trabalho foi divulgado na revista Nature Communications, ampliando o entendimento sobre uma das estruturas mais incomuns da natureza.

Com informacoes de Olhar Digital.

Theodoro Augusto Martins

Sobre o Autor: Theodoro Augusto Martins

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