MP denuncia compra de terrenos de R$ 3,9 mi por Mohamad Hussein e Beto Louco e revela plano de sede “faraônica” em Catanduva
O Ministério Público de São Paulo formalizou denúncia contra Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como “Beto Louco”, e Mohamad Hussein Mourad, apelidado de “Primo”, acusando-os de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica no âmbito da Operação Carbono Oculto.
Segundo a denúncia, os investigados pretendiam erigir a sede do conglomerado Itajobi em Catanduva, interior de São Paulo, em um edifício descrito como “faraônico”, com três pavimentos e área construída de 6.733,36 m², situado em um terreno de aproximadamente 10.000 m².
Em outubro de 2023, o grupo adquiriu dois lotes localizados na Rua Martinho Canozo, Quadra C, Lotes 5 e 6, pelo valor total de R$ 3,9 milhões, provenientes da conta da empresa Aster Petróleo, que havia sido comprada por Beto Louco e Primo em 2020.
O fluxo financeiro ocorreu em oito minutos: o recurso saiu da conta da Aster às 13h14, transitou por cinco contas intermediárias até chegar à empresa RGP Property às 13h22, e, em seguida, foi repassado aos vendedores às 14h23.
No dia 11 de janeiro de 2024, a Usina Itajobi Ltda., atuante nos segmentos de açúcar e álcool, protocolou junto à Prefeitura de Catanduva um pedido de alvará (nº 56.656) para a construção do prédio corporativo, indicando que o objetivo era estabelecer a sede do Grupo Itajobi.
A responsabilidade técnica do projeto foi atribuída à Conceb Engenharia Ltda., sob a condução do engenheiro Ali Mohamad Mourad, primo de Mohamad Hussein Mourad, conforme placa encontrada pelos investigadores no local.
O Ministério Público afirma que os recursos empregados na compra dos terrenos eram provenientes de fraudes fiscais que geraram mais de R$ 1 bilhão em impostos devidos, e que o dinheiro foi lavado por meio de fintechs e fundos de investimento.
A defesa de Mohamad Hussein contestou a acusação, alegando que a denúncia repete estratégias da Operação Carbono Oculto sem apresentar provas concretas sobre a origem e a destinação do dinheiro supostamente lavado.
Já a defesa de Roberto Augusto Leme da Silva afirmou que demonstrará a improcedência da denúncia durante o processo, apontando nulidade no procedimento judicial.
Os promotores ressaltaram que o tamanho e o valor patrimonial do empreendimento evidenciam a intenção expansionista da organização criminosa, alimentada por recursos ilícitos.
Com informacoes de G1.

