Militares americanos conduzem operações contra narcotraficantes no norte do Equador, afirma governador
O governador da província de Esmeraldas, Juan Jaramillo, confirmou que unidades do Exército dos Estados Unidos estão atuando em conjunto com as forças equatorianas no combate ao narcoterrorismo no norte do país, próximo à fronteira colombiana. Ele não revelou número de soldados nem período de início das ações, que permanecem sob sigilo.
As operações fazem parte do acordo “Escudo das Américas”, coalizão liderada pelo ex‑presidente Donald Trump e composta por cerca de 20 nações da América Latina e do Caribe. O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, havia declarado no dia 13 que as forças americanas se preparavam para atuar em territórios de países aliados visando desarticular organizações de narcotráfico na região.
A província costeira de Esmeraldas tem sido palco de assassinatos, sequestros e extorsões praticados por quadrilhas que utilizam os portos do Pacífico para exportar drogas aos Estados Unidos e à Europa.
Na quinta‑feira (20), o ministro da Defesa equatoriano, Gian Carlo Loffredo, anunciou a chegada de dois navios de guerra e três helicópteros Black Hawk dos Estados Unidos, destinados ao controle de pontos marítimos e cidades costeiras, como a violenta Manta.
O presidente Daniel Noboa, eleito em 2023, tem adotado uma política de “linha dura” contra a criminalidade, porém os índices de homicídios permaneceram elevados, alcançando 52 mortes por 100 mil habitantes em 2022, recorde nacional.
Nesta semana, o governo equatoriano editou um decreto que autoriza a permanência de militares americanos em território nacional por até 180 dias sem necessidade de visto, concedendo-lhes imunidade migratória.
Trump, aliado regional de Noboa, tem promovido uma política antidrogas que inclui bombardeios e ataques terrestres no continente americano. Em 2025, o presidente americano lançou uma campanha de bombardeios contra supostas embarcações de narcotráfico no Caribe e no Pacífico, que até o momento contabilizou 215 mortos.
Um referendo realizado em 2025 resultou na rejeição pelos equatorianos da instalação de bases militares americanas no país.
Organizações como a Human Rights Watch e veículos internacionais acusam os EUA de estarem por trás de bombardeios contra barcos de pesca equatorianos, que deixaram ao menos oito desaparecidos.
Segundo comunicado do Departamento de Estado divulgado nesta quinta‑feira, as autoridades equatorianas apreenderam dez embarcações de pesca por tráfico de drogas e impuseram sanções contra 15 integrantes de uma rede narcotraficante local.
Com informacoes de Folha de S.Paulo.

