Mestre Carsughi: da engenharia ao jornalismo esportivo e automotivo
Nasceu em Arezzo, Itália, em 13 de outubro de 1932, e aos cinco anos mudou-se com a família para Firenze, onde desenvolveu a paixão pelo futebol e, sobretudo, pelo time da Fiorentina.
Em março de 1946, após o fim da Segunda Guerra Mundial, a família temeu uma terceira guerra mundial e decidiu emigrar para o Brasil, chegando ao Rio de Janeiro a bordo do navio Duque de Caxias e permanecendo na cidade por cerca de um mês antes de estabelecer residência definitiva em São Paulo.
A permanência, inicialmente prevista para um ano, se estendeu indefinidamente devido às consequências do conflito europeu. Na capital paulista, estudou no colégio italiano Dante Alighieri e, posteriormente, ingressou na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli), formando-se em Engenharia Civil.
Embora tenha exercido a engenharia por pouco tempo, a vocação jornalística prevaleceu. Ele explicava a mudança de carreira com a frase: “resolvi fazer aquilo que eu amava e nada melhor que passar a vida trabalhando, assim o trabalho virou prazer”.
Aos 13 anos, já escrevia para o jornal italiano Corriere dello Sport, tornando‑se correspondente graças a contatos de seu avô na redação. Em 1950, enviou ao mesmo jornal relatos sobre a movimentação popular brasileira em torno da Copa, marcando o início de sua brilhante trajetória jornalística.
No início da década de 1950, trabalhou na Rádio Cultura de Poços de Caldas, Minas Gerais, e em 1957 foi contratado pela Rádio Panamericana, emissora que mais tarde se tornaria a Jovem Pan. Inicialmente ligado ao futebol, ampliou sua atuação para comentar Fórmula 1 e assuntos da indústria automobilística já em 1958.
Ao longo das décadas, sua relação com a Jovem Pan foi intermitente, mas acabou se consolidando como uma das mais longas e marcantes histórias do rádio brasileiro. Entre 1960 e 1963, integrou a equipe da Rádio Bandeirantes, passou pela Rádio Record e, quando esta cessou a transmissão de futebol, retornou à Jovem Pan, onde permaneceu por mais de 60 anos.
Na imprensa escrita, atuou na Gazeta Esportiva e, em 1965, foi convidado por Mino Carta para integrar o recém‑lancado Jornal da Tarde. Também foi correspondente do Corriere dello Sport, da revista Calcio e Ciclismo Illustrato e, posteriormente, do Tuttosport.
A partir de 1995, colaborou com o jornal italiano La Stampa, cobrindo a indústria automobilística, o que ampliou ainda mais sua expertise técnica. Seu primeiro teste automobilístico ocorreu em 1956, com a Romi‑Isetta, justamente quando a produção de automóveis começava a ganhar relevância no Brasil.
Em 1971, trabalhou na Editora Abril, na revista Placar, e, em 1974, ingressou na Quatro Rodas, permanecendo por 25 anos. Foi o primeiro jornalista a testar o Volkswagen Gol e, posteriormente, a acompanhar a transição para o Polo, sendo responsável pela área técnica e pelas avaliações de veículos até 1990.
Durante esse período, manteve contato direto com fabricantes, engenheiros, pilotos e outros profissionais da indústria, produzindo matérias técnicas que incluíam medições, análises de desempenho, comportamento dinâmico e comparações entre modelos, acompanhando a evolução dos motores, da segurança e da tecnologia embarcada até a era da eletrificação.
Defensor dos carros com transmissão manual, afirmava que não desejava que um computador “pensasse” por ele ao dirigir. Após deixar a Quatro Rodas em 1990, foi imediatamente contratado pela Revista Oficina Mecânica, onde continuou a influenciar o jornalismo especializado.
Mesmo com a forte presença no segmento automotivo, nunca abandonou o jornalismo esportivo. No rádio, participou de grandes coberturas de futebol e acompanhou cinco Copas do Mundo consecutivas como comentarista da Rádio Panamericana.
Com informacoes de Portal Carsughi.

