Mark Ruffalo enfrenta acusação de antissemitismo da Paramount e recebe apoio de mais de 180 artistas judeus
Mais de 180 profissionais e artistas judeus assinaram uma carta de apoio ao ator Mark Ruffalo, divulgada nesta quarta-feira (1º) após a Paramount acusá-lo de antissemitismo. O documento foi publicado também pela revista Variety na terça-feira (1º).
Mark Ruffalo, de 58 anos, entrou em conflito público com a Paramount depois de criticar, em post nas redes sociais no dia 21 de agosto, a proposta de fusão entre a Paramount e a Warner Bros. Discovery. Na publicação, o ator questionou os possíveis impactos da operação para Hollywood e apontou os vínculos da família Ellison, proprietária da Oracle e acionista da Paramount, com Israel, relacionando-os à situação dos palestinos em Gaza.
Em resposta, um porta‑voz da Paramount acusou Ruffalo de invocar “estereótipos antissemitas”. O ator rebateu a acusação, classificando‑a como “terrível e fundamentalmente desonesta” e afirmou que criticar governos, contratos de tecnologia militar ou executivos envolvidos em negócios não equivale a atacar o povo judeu.
Na carta divulgada pela Variety, os mais de 180 signatários descrevem as acusações como uma “campanha difamatória” e condenam a concentração de poder na indústria de mídia. O manifesto associa a fusão corporativa ao uso de inteligência artificial em Gaza, alegando que expor essas conexões é um dever ético judaico.
Entre os signatários estão Joaquin Phoenix, Jonathan Glazer, Joel Coen, Todd Haynes e Hannah Einbinder. Jonathan Glazer também emitiu declaração pública, argumentando que acusar Ruffalo de antissemitismo por questionar uma grande fusão seria uma forma de silenciar críticas legítimas. O dramaturgo e cineasta Kenneth Lonergan qualificou a acusação como “flagrantemente absurda”. Hannah Einbinder já havia manifestado apoio ao ator em declarações anteriores.
Organizações como o Simon Wiesenthal Center e a Creative Community for Peace condenaram os comentários de Ruffalo, assim como produtores e executivos Haim Saban, Teddy Schwarzman e Lawrence Bender, que consideraram inadequado associar negociações empresariais a questões judaicas, antissionismo ou antissemitismo.
A carta ainda critica a concentração de poder na mídia, apontando que a fusão proposta entre Paramount e Warner Bros. Discovery não é apenas a combinação de duas multinacionais, mas um movimento que pode eliminar milhares de empregos, reforçar o controle oligárquico sobre a produção e distribuição de conteúdo e, segundo os signatários, servir a um projeto maior de dominação tecnológica vinculado a Larry Ellison.
Os autores do documento destacam que Larry Ellison, fundador da Oracle, tem investido US$ 350 milhões em apoio ao Tony Blair Institute for Global Change e que, segundo eles, ele vinculou explicitamente esse apoio à propaganda pró‑Israel e ao uso de tecnologias de controle e assassinato baseadas em inteligência artificial em Gaza, citando a ex‑CEO da Oracle e atual conselheira da Paramount, Safra Catz, como parte desse processo.
O texto ainda menciona a aquisição do TikTok, intermediada por Donald Trump, que, segundo os signatários, teria sido motivada em grande parte pelo desejo de impulsionar propaganda pró‑Israel, reforçando a visão de que a trajetória da IA para a WarnerMount passa por Gaza e que Ellison alerta sobre um futuro “orwelliano”.
Com informacoes de G1.

