Lula ainda não compreendeu o papel da imprensa, afirma editorial da Globo
Em seu editorial, a Globo reafirma que a missão da imprensa é buscar a verdade dos fatos, ressaltando que "ao jornalismo profissional cabe relatar e esclarecer os fatos; não adivinhá-los".
A Operação Lava‑Jato foi conduzida por policiais federais e pelo Ministério Público, resultando em processos julgados por três instâncias da Justiça. A investigação envolveu cifras bilionárias, confissões da maioria dos agentes corruptos e daqueles que foram corrompidos, culminando na prisão de empresários e de pessoas que ocupavam cargos públicos, inclusive o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que sempre alegou inocência.
Em qualquer parte do mundo, uma investigação desse porte receberia cobertura extensa e intensa ao longo de todo o seu andamento. Os agentes da lei gozavam de fé pública, e os réus jamais deixaram de ser ouvidos pela imprensa. O jornalismo profissional não é adivinho — a ele é vedado grampear ilegalmente juízes ou promotores, prática que acabou sendo realizada por um hacker.
O editorial ainda declara que a violação de sigilo de fonte pela Polícia Federal é inconstitucional. Os grampos ilegais revelaram que juiz e promotores não agiram de forma isenta e que havia conluio entre eles. A imprensa, inclusive a Globo e os demais veículos do Grupo Globo, deu ampla cobertura a essas revelações, como demonstram os arquivos.
O Supremo Tribunal Federal declarou a suspeição do juiz Sergio Moro e, em seguida, anulou todos os processos que pesavam contra Lula e outros ex‑agentes públicos, fatos que também foram objeto de ampla cobertura.
Na entrevista ao Jornal Nacional, na eleição de 2022, o jornalista William Bonner, então apresentador do telejornal, relatou os fatos ao presidente e disse: "Portanto o senhor não deve nada à Justiça". Em sequência, Bonner lembrou que a Petrobras teve de registrar em balanço o prejuízo bilionário causado pela corrupção e perguntou se o PT reconhecia que houve corrupção. Lula, embora criticasse as delações premiadas por permitirem que os corruptos ficassem com parte do roubo, reconheceu: "Deixa eu lhe dizer uma coisa: você não pode dizer que não houve corrupção se as pessoas confessaram".
Há décadas a Globo e os demais veículos do Grupo Globo dão amplo espaço para a cobertura de desvios de governos, independentemente da ideologia de seus ocupantes. O público tem testemunhado que escândalos de corrupção mereceram atenção total nos governos Lula, Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro, apenas para citar os deste século.
Nas entrevistas e sabatinas, os candidatos à Presidência vêm sendo igualmente questionados. Como disse Renata Vasconcellos, o Grupo Globo cumpre sua missão de informar bem.
Este quiz foi produzido pelo projeto Irineu, a iniciativa da Globo para oferecer aplicações de inteligência artificial aos leitores, e toda a produção de conteúdo com o uso do Irineu é supervisionada por jornalistas.
Com informacoes de O GLOBO.

