Luis de la Fuente: A Jornada de um Técnico de Ferro
Do desemprego ao topo do futebol mundial, a vida de Luis de la Fuente, de 65 anos, passou por muitas reviravoltas até este sábado. Agora, ele está a apenas uma partida de se tornar campeão mundial com a Espanha, mantendo-se fiel a dois princípios norteadores: habilidade na gestão de pessoas e uma mentalidade ao estilo ‘Rocky Balboa’.
“Eu pertenço à geração Rocky Balboa: você pode me bater e bater, e talvez eu acabe caindo. Mas eu me levanto e continuo, continuo, continuo…”, escreveu o técnico em sua biografia, ‘La vida se entrena todos los días’ (‘A vida exige treinos diários’ em tradução livre), publicada antes da Copa do Mundo de 2026.
Após se destacar como uma jovem promessa em sua cidade natal, Haro, De la Fuente foi descoberto pelo Athletic Bilbao, que o recrutou para as categorias de base aos 16 anos. Ele progrediu até integrar o elenco histórico que conquistou dois títulos do campeonato espanhol (1983 e 1984), uma Copa do Rei e uma Supercopa da Espanha sob o comando do técnico Javier Clemente.
Aos 27 anos, De la Fuente saiu finalmente de sua zona de conforto e assinou com o Sevilla, tendo ficado na mira de Real Madrid, Barcelona e Atlético, como ele conta em sua autobiografia. “Cheguei no dia 12 de julho e, já em 1º de setembro, estava dançando sevilhanas. Sério. Achei que isso fosse importante para a integração, então me matriculei em uma escola de dança logo após chegar”.
O lateral-esquerdo deu um novo rumo à sua vida. Encontrou um ambiente mais profissional e se estabilizou. Conheceu sua esposa, Charo, e teve mais dois filhos, que se juntaram ao primogênito, nascido quando ele tinha 24 anos. Ex-coroinha, redescobriu a fé católica, que havia deixado de lado no início de sua carreira profissional, e a mantém firme desde então: “Sou um fiel convicto”.
Após quatro temporadas em Sevilha (1987–1991) e um retorno ao Athletic Bilbao (1991–1993), De la Fuente pendurou as chuteiras em 1994, enquanto defendia o Alavés na segunda B (terceira divisão do futebol espanhol). Ele tinha apenas 32 anos e, inicialmente, não tinha vontade de continuar ligado ao futebol.
Após ser demitido do cargo de técnico do Alavés (segunda B) em outubro de 2011, De la Fuente passou por uma fase difícil que acabou sendo um ponto de virada em sua trajetória. “Fiquei sem time, desempregado, por mais de um ano e sem receber salário durante vários meses. Foi um período muito complicado: eu tinha esposa e filhos, e precisava de uma fonte de renda”.
Certo dia, ele viu um anúncio de jornal no qual a Federação Espanhola de Futebol buscava treinadores para as seleções de base. Ele ligou para Iñaki Sáez, ex-técnico da seleção principal, com quem mantinha uma “relação fantástica”, e foi contratado em maio de 2013. Ele comandou as equipes de base por quase uma década, período em que conquistou a medalha de prata olímpica nos Jogos de Tóquio, em 2021.
Finalmente, em 8 de dezembro de 2022, foi anunciado como sucessor de Luis Enrique, depois que a Espanha foi eliminada pelo Marrocos nos pênaltis, nas oitavas de final da Copa do Mundo do Catar. De la Fuente construiu “uma família” e começou a colher sucessos. Após a Liga das Nações de 2023 e a Eurocopa de 2024, ele está agora a um passo de alcançar a maior das consagrações em Nova York.
Com informacoes de Gazeta Esportiva.

