Lionel Scaloni: 100 Jogos na Argentina e Uma Jornada de Sucesso

Por Luiz Henrique Ferreira em Rio Verde, GO 07/07/2026 02:24
Lionel Scaloni: 100 Jogos na Argentina e Uma Jornada de Sucesso

Foto: Globo Esporte

Há 40 anos, Maradona levava a Argentina ao topo do Mundo. Quem imaginaria que a Argentina eliminada pela França na Copa do Mundo de 2018 com um 4 a 1 venceria a Copa seguinte contra a mesma seleção? E quem diria que o treinador da equipe seria o auxiliar do técnico Sampaoli, que foi praticamente expulso do comando pelos jogadores? Isso tudo aconteceu.

Com 100 jogos completados, Lionel Scaloni é a mente por trás da atual campeã mundial e enfrenta um novo desafio diante do Egito, nesta terça-feira, pelas oitavas de final. Scaloni resgatou uma seleção com moral mais baixo possível e encerrou um jejum de 28 anos sem títulos. Sob comando dele, a Argentina montou uma seleção que reencontrou as raízes do 'futebol potrero' do país, foi apelidada de 'La Nuestra' (A Nossa) e conquistou o tricampeonato mundial.

Resgatar a seleção argentina não seria um trabalho fácil, ainda mais para um técnico que começava a carreira ali. Nomes consagrados como Simeone e Pochettino rejeitaram assumir o comando, uma verdadeira bomba na época. A Argentina quase caiu na fase de grupos da Copa de 2018 e foi salva pelo brilho de Messi. Não adiantou muito: foi eliminada nas oitavas de final ao perder por 4 a 1 para a França.

Os jogadores estavam insatisfeitos com o técnico Jorge Sampaoli, que caiu logo depois da derrota. Rodrigo Coutinho traz análise de Argentina e Egito, que duelam pelas oitavas de final. Lionel Scaloni passou um ano como interino e treinou a seleção na Copa América de 2019 até ser efetivado. Naquela competição, a seleção argentina caiu para o Brasil na semifinal.

Mesmo com a derrota, Scaloni ganhou a confiança de Messi e da AFA (Associação do Futebol Argentino) e virou o técnico definitivo dos hermanos. Scaloni admitiu que mudou a forma de jogar durante a Copa América de 2019. Na época, experimentou por um time que jogava de forma mais 'vertical', ou seja, que focava na transição em velocidade. A França campeã mundial em 2018 jogava assim e a Bélgica chegou às semifinais com esse estilo de jogo. Não funcionou para a Argentina.

— Eu saio da Rússia (em 2018) com uma imagem de que o futebol estava indo para transições, de colocar jogadores rápidos, e eu queria fazer uma equipe assim. Mas pensei... os melhores jogadores argentinos não são assim. Percebi antes de começar a Copa América (de 2019), mas pensei em apostar naquelas partidas - disse Scaloni após o título de 2022.

Mudanças foram feitas para o ciclo da Copa do Mundo de 2022. A Argentina adotou uma formação com Paredes, Lo Celso e De Paul no meio de campo. O jogo tinha que passar por ali de algum jeito. Troca de passes constantes sem precisar acelerar o ritmo, trocas de posição e liberdade de movimentação. Era o início da 'Scaloneta'. Times entravam na roda diante do 'toco y me voy' da Argentina, que foi chamada de 'La Nuestra'.

O apelido saiu da identificação do futebol jogado pela seleção com as raízes do 'futebol potrero', o jogo das ruas do país. O jejum de 28 anos sem títulos caiu em 2021, no Maracanã, com a conquista da Copa América sobre o Brasil. Veja a reação de Scaloni aos três gols da Argentina e ao apito final contra Cabo Verde — Tivemos uma escolha e percebemos que o melhor era jogar outra coisa.

— Eles jogam um outro jogo. Mas falamos com Pablo (Aimar), Walter (Samuel)... veja que Lo Celso joga bem, De Paul joga bem, Paredes joga bem, Palacios joga bem, Messi joga bem. Jogar bem significa que eles se reúnem e se tornam parceiros e, se pedimos velocidade ou passes de 30, 40 metros, acho que não vai funcionar. Precisamos coletar muitos passes para que as coisas aconteçam. Sempre falamos a eles e mostramos as imagens que, quando montamos dez passes, era situação de gol. Era incrivelmente real — afirmou o treinador.

Não foi apenas uma mudança tática, mas também uma mudança de filosofia. O jogo vertical, de lançamentos e pura velocidade não encaixava com o que o campo pedia. Os jogadores abraçaram as mudanças, a arquibancada também. Tudo se encaixou para a Argentina. O que me interessa é que o povo se sinta identificado com a proposta da equipe, que fomos uma seleção que representava o seu povo.

— Nada mais. Com isso já estaria bem. A verdade é que 100 partidas... nunca pensei. São muitas com essa camisa. A verdade é que é um momento muito lindo. — Lionel Scaloni antes de enfrentar Cabo Verde pela segunda fase da Copa de 2026.

Nada de padrões. Messi sai da ponta-direita, volta para o campo defensivo para iniciar jogadas, roda pelo meio e entra na área através do lado esquerdo para marcar um gol. Yo toco y me voy. Toca e passa. Quem tem Messi precisa aproveitar da genialidade do craque. Deixe-o ser livre. Foi o que Scaloni fez.

Messi marcou golaços, criou jogadas e decidiu. Foram sete gols na Copa de 2022. Jovens como Enzo Fernández e Julián Álvarez ganharam a titularidade durante o torneio em um time que jogava para Messi, para Scaloni e por cada esquina de Buenos Aires. Identificação era parte do segredo. Identificação não só dos jogadores com o plano tático, mas também dos torcedores com o que era feito nas quatro linhas.

Funcionou, afinal. A Argentina conquistou a Copa do Mundo de 2022, a Copa América de 2024 e agora caminha no mata-mata em busca do tetracampeonato mundial. A Argentina inicia a segunda fase da Copa do Mundo com uma vitória sobre Cabo Verde por 3 a 2, e agora enfrentará o Egito pelas oitavas de final. O técnico Lionel Scaloni comemorou seu 100º jogo pela seleção argentina diante de Cabo Verde.

Agenda da Argentina na Copa do Mundo: 1ª rodada: Argentina 3x0 Argélia, 16 de junho, às 22h, em Kansas City; 2ª rodada: Argentina 2x0 Áustria, 22 de junho, às 14h, em Dallas; 3ª rodada: Jordânia 1x3 Argentina, 27 de junho, às 23h, em Dallas; Segunda fase: Argentina 3x2 Cabo Verde, 3 de julho, às 19h, em Miami; Oitavas de final: Argentina x Egito, 7 de julho, às 13h, em Atlanta.

Com informacoes de Globo Esporte.

Luiz Henrique Ferreira

Sobre o Autor: Luiz Henrique Ferreira

Luizinho é o escritor de futebol do MOTNAF.NEWS. Apaixonado pelo esporte desde a primeira pelada, ele acompanha cada lance, cada gol e cada virada com o olhar de quem vive o futebol de verdade. Do Brasileirão à Copa do Mundo, nenhuma bola rola sem que ele esteja de olho. Ágil e sempre de plantão, traz a notícia quente na hora certa, sem enrolação. Gosta tanto do jogo dentro de campo quanto das histórias que emocionam nos bastidores. Escreve com paixão, clareza e aquele tempero que só quem ama futebol tem. Cobre os grandes clássicos, mas não esquece dos detalhes que fazem diferença. Seu compromisso é manter você por dentro de tudo, com informação rápida e confiável. Cada matéria é feita pensando no torcedor. É MOTNAF.NEWS, é futebol de verdade.