Kim Jong-un deixa de pária e se torna figura cortejada por potências globais

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 30/08/2026 11:00
Kim Jong-un deixa de pária e se torna figura cortejada por potências globais

Foto: via VEJA

Kim Jong-un, que antes era visto como um líder marginal e alvo de piadas internacionais, mantém controle absoluto sobre a vida de 26 milhões de norte‑coreanos e sobre um arsenal nuclear limitado, mas letal. O país permanecia isolado, sem indústria robusta ou comércio significativo, e enfrentava dificuldades agravadas pela pandemia e pelas mudanças climáticas, que geravam escassez de recursos e fome generalizada.

Com o surgimento de conflitos regionais e a postura do então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a Coreia do Norte estreitou seus laços com a China e passou a desempenhar um papel crucial como fornecedora de armamentos para a Rússia na guerra contra a Ucrânia, alterando drasticamente sua posição no cenário internacional.

Recentemente, Trump anunciou a redução de um exercício militar conjunto entre Estados Unidos e Coreia do Sul, passando de onze para cinco dias, envolvendo cerca de 20 000 soldados sul‑coreanos e americanos. Além disso, um treinamento naval previsto para setembro foi cancelado integralmente. Em declaração, o presidente americano alegou que os exercícios eram onerosos e enviavam um “sinal totalmente impróprio e hostil” a um país que ele descreveu como “não agressivo e respeitoso”.

Essa decisão enfraqueceu a aliança sul‑coreana‑estadunidense, desviando a atenção de um conflito prolongado com o Irã e criando espaço para que Kim Jong-un se aproximasse tanto da China quanto da Rússia, seus vizinhos estratégicos.

Na esfera russa, o presidente Vladimir Putin consolidou uma aliança que resultou em um aporte de US$ 14 bilhões aos cofres norte‑coreanos nos últimos três anos. Segundo a Ucrânia, metade da munição utilizada pelas forças russas nesse período foi produzida em fábricas norte‑coreanas, incluindo mísseis balísticos e lançadores de foguetes.

Em termos de pessoal, cerca de 16 000 soldados do Exército de Kim participaram da retomada da região de Kursk, recentemente ocupada por tropas ucranianas, e continuam a remover minas. Inteligência ucraniana indica que outros 30 000 soldados norte‑coreanos estão sendo preparados para avançar à linha de frente. Moscou paga aproximadamente US$ 2.800 mensais por soldado e US$ 3.000 por oficial, além de indenizações que variam entre US$ 6.000 e US$ 10.000 por cada combatente morto.

A Coreia do Norte também aproveitou a oportunidade para abrir áreas do país ao turismo russo, oferecendo resorts de praia e estações de esqui com descontos especiais para soldados russos.

O aumento da influência de Kim Jong-un ficou evidente com visitas de alto nível a Pyongyang, incluindo o presidente russo Vladimir Putin, o presidente da Bielorrússia Alexander Lukashenko e o presidente chinês Xi Jinping, que compareceu pessoalmente.

A China, que historicamente manteve relações regulares e fornecia alimentos e energia à Coreia do Norte, intensificou recentemente sua cooperação em tecnologia e agricultura, buscando reforçar os laços diante da aproximação russa. Linggong Kong, do East Asia Forum, avaliou que “Moscou não substitui Pequim, mas Pyongyang agora joga seus dois grandes vizinhos um contra o outro para obter recursos”.

Trump, que já declarou ter “excelente relação” com Kim, realizou três encontros durante seu primeiro mandato, na esperança de obter concessões que pudessem encerrar o estado de guerra com a Coreia do Sul, vigente há mais de setenta anos. Contudo, as negociações não resultaram em avanços. A redução dos exercícios militares foi recebida com frieza por Kim Yo‑jong, irmã e porta‑voz informal do líder supremo, que afirmou que “não nos interessa; a intenção de provocar e agredir permanece a mesma”. Ela, porém, ressaltou que as relações entre seu irmão e o presidente americano “ainda são excelentes”, indicando a possibilidade de novos encontros.

Com informacoes de VEJA.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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