Juros Longos dos EUA Atingem Máxima em 18 Anos Após Fed Manter Juros

Por Ronaldo Batista Souza em Rio Verde, GO 29/07/2026 20:46
Juros Longos dos EUA Atingem Máxima em 18 Anos Após Fed Manter Juros

Foto: e de 30 anos – refe

Os rendimentos do título do Tesouro dos EUA de 30 anos atingiram o maior nível desde julho de 2007, a 5,244%, após a decisão do Federal Reserve (Fed) de manter os juros inalterados na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano pela quinta vez consecutiva.

Já os rendimentos dos Treasuries de 2 anos recuaram levemente e o dólar perdeu força. A inclinação da curva refletiu as incertezas dos investidores se o Fed conseguirá manter a inflação sob o controle, em meio ao recuo nas apostas de alta nos juros norte-americanos na próxima decisão, em setembro.

A reação da curva foi condizente com a falta de clareza sobre o que o Fed está esperando para apertar a política monetária: forte steepening, com a ponta curta (2 anos) fechando cerca de 10 pontos-base e a ponta longa (30 anos) abrindo outros 10 pontos-base, em direções opostas – resultando em um movimento, puxado pela combinação entre uma ponta curva ainda ancorada e uma ponta longa exigindo mais prêmio por risco de inflação e de credibilidade.

Em nota, Marcos Mollica, gestor da SPX Capital, afirmou que a reação da curva foi condizente com a falta de clareza sobre o que o Fed está esperando para apertar a política monetária.

William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue Securities, avaliou que a decisão, já esperada pelo mercado, não foi unânime: Beth Hammack (Fed de Cleveland), Neel Kashkari (Fed de Minneapolis) e Lorrie Logan (Fed de Dallas) defenderam uma alta de 25 pontos-base, marcado o maior dissenso desde setembro de 2016.

O presidente do Fed, Kevin Warsh, afirmou que conseguiu a 'boa discussão familiar' na reunião, mas ressaltou que o Comitê optou pela estabilidade por uma 'ampla maioria'. Warsh também destacou os níveis mais elevados dos juros nominais e reais dos títulos públicos, sugerindo que parte do aperto das condições financeiras já foi promovida pelo próprio mercado.

Ainda assim, reforçou que, caso a inflação não desacelere, o Fed poderá voltar a elevar os juros: 'Não hesitaremos em agir', disse ele.

Nos Estados Unidos, os Treasuries são os títulos da dívida do governo norte-americano. Eles são considerados o ativo mais seguro do mundo pelo fato dos EUA ser o emissor da moeda de transação universal – no caso, o dólar – e pelo governo nunca ter dado calote na história.

Assim como os títulos do Tesouro brasileiro, os Treasuries possuem diferentes vencimentos, sendo os mais relevantes os de 2 – mais sensível à política monetária –, de 10 – referência para empréstimos imobiliários, financiamento de veículos e dívidas de cartão de crédito – e de 30 anos – referência para hipotecas de longo prazo.

As taxas, também chamadas de yields (rendimentos), variam de acordo com a perspectiva dos investidores para a trajetória da taxa de juros dos EUA. Um ponto-base equivale a variação de 0,01% do yield do títulos, e os rendimentos e os preços movem-se em direções opostas.

Com informacoes de Money Times.

Ronaldo Batista Souza

Sobre o Autor: Ronaldo Batista Souza

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