Juros em torno de 9% e dólar abaixo de R$4 podem levar Ibovespa a 300 mil pontos, apontam analistas

Por Ronaldo Batista Souza em Rio Verde, GO 11/09/2026 14:47
Juros em torno de 9% e dólar abaixo de R$4 podem levar Ibovespa a 300 mil pontos, apontam analistas

Foto: btg-pactual/efe

Um conjunto de medidas fiscais que fortaleça a sustentabilidade das contas públicas tem potencial para gerar uma reancoragem fiscal no Brasil, elevando a confiança dos investidores e permitindo que a taxa de juros volte a ficar em um dígito, possivelmente atingindo 9% ao ano, que o dólar opere em torno de R$3,95 e que o Ibovespa alcance a marca inédita de 300 mil pontos.

Os cenários foram delineados em relatório intitulado “E se o governo ajustasse as contas públicas”, divulgado em meados de agosto por analistas da Empiricus e do BTG Pactual. Com as eleições de 2026 em contagem regressiva, a pergunta que move o investidor é: “Em um cenário benigno, no qual o presidente eleito consiga conter o problema fiscal e frear a trajetória da dívida pública, onde devo posicionar meu capital?”.

Segundo dados do Banco Central, a dívida bruta do governo brasileiro chegou a 82,5% do PIB nos últimos 12 meses até julho de 2026. Para estabilizar essa dívida, o próximo governo precisaria gerar um superávit primário próximo a 2,1% do PIB, enquanto o déficit primário atual é de 0,67% do PIB – ou seja, seria necessária uma melhoria de cerca de 2,7 a 3 pontos percentuais.

Os especialistas apontam que, para que a dívida deixe de crescer, o investidor precisaria observar uma melhora recorrente do resultado primário e a redução da rigidez das despesas. Entre as medidas sugeridas estão: a desaceleração das despesas obrigatórias; a revisão de indexações e benefícios; a limitação de novas exceções ao arcabouço fiscal; e a credibilidade aumentada por meio de etapas, gatilhos automáticos e metas intermediárias, permitindo ao mercado acompanhar a execução sem depender apenas de promessas de longo prazo.

Para avaliar o impacto de um eventual ajuste fiscal, os analistas construíram três cenários de sensibilidade. No primeiro, um ajuste crível reduz o prêmio fiscal e coloca a curva de juros futuros (DI jan/2031) em queda antes mesmo da redução da Selic pelo Banco Central, estimulando a entrada de capital, fortalecendo o real e diminuindo a inflação esperada. No segundo cenário, um ajuste forte – com reforma profunda das despesas obrigatórias e superávits recorrentes – poderia levar o dólar a R$4,25 e o Ibovespa a operar na faixa dos 260 mil pontos, desde que haja queda efetiva do déficit, estabilização da dívida e convergência da inflação. No terceiro cenário, uma reancoragem estrutural, combinando ajuste doméstico, inflação convergente, ambiente externo favorável e fluxo expressivo de capital estrangeiro, faria a curva de juros futuros atingir 9,8%, o dólar alcançar R$3,95 e a bolsa chegar aos 300 mil pontos. Vale destacar que um dólar abaixo de R$4,20 exigiria ainda condições adicionais, como dólar global fraco, commodities sustentadas, estabilidade política e fluxo estrangeiro relevante.

Na perspectiva de alocação de ativos, os analistas recomendam priorizar títulos IPCA+ de longo prazo e setores domésticos sensíveis à queda da Selic, aproveitando o cenário de juros mais baixos e real fortalecido. O relatório completo pode ser acessado via Empiricus+.

Com informacoes de Seu Dinheiro.

Ronaldo Batista Souza

Sobre o Autor: Ronaldo Batista Souza

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