Jackson Nascimento, ídolo do Athletico e ex‑Corinthians, morre aos 102 anos
Jackson Nascimento, considerado uma das maiores lendas do Club Athletico Paranaense e ex‑meia do Sport Club Corinthians Paulista, morreu por volta das 0h30 (horário de Brasília) na madrugada desta quarta‑feira, em sua residência em Camboriú, litoral de Santa Catarina, aos 102 anos.
O Athletico divulgou uma nota de luto nas redes sociais, alterou a foto de perfil em homenagem ao ídolo e relembrou sua trajetória: atuou entre 1944 e 1957, totalizando 215 partidas e marcando 150 gols, o que o coloca como o segundo maior artilheiro da história do Furacão, atrás apenas de Barcímio Sicupira (158 gols). Jackson foi o último sobrevivente do time de 1949 que recebeu o apelido de “Furacão”. Nascido em 1924, mesmo ano da fundação do clube, sua vida esteve entrelaçada com a história do Athletico.
“Obrigado por tudo, Jackson! Lendas nunca são esquecidas”, destacou a publicação oficial do clube.
O Corinthians também manifestou pesar, ressaltando que Jackson era o jogador mais velho a ter vestido a camisa alvinegra e o último membro vivo do ataque que marcou 103 gols no título do Campeonato Paulista de 1951. Defendeu o Timão em duas temporadas, de 1950 a 1952, somando 57 jogos e 35 gols, e conquistou o Paulistão de 1951. “O Sport Club Corinthians Paulista manifesta sua solidariedade aos familiares e amigos de Jackson Nascimento neste momento de dor e luto. Eternamente dentro dos nossos corações”, leu‑se na mensagem do clube.
Segundo a família, o ex‑atleta passou os últimos quatro ou cinco dias sem conseguir se alimentar, apresentando dificuldades para engolir. A neta, Letícia Klein, relatou ao GEO: “Faz uns quatro, cinco dias que ele não comia mais nada, daí não conseguia mais deglutir. Foi igual uma velinha, que vai se apagando. Ele faleceu hoje, era meia‑noite e meia. Conseguimos passar esses dias bastante com ele, minha mãe, mas faleceu aqui em Camboriú mesmo, faleceu em casa.”
O corpo de Jackson foi encaminhado para Curitiba, onde será sepultado na Arena da Baixada. As informações sobre o velório ainda não foram definidas.
Além de ser o segundo maior artilheiro da história do Athletico, Jackson detém o recorde de maior número de gols nos clássicos contra o Coritiba, com 15 gols. Chegou ao clube ainda nas categorias de base e estreou no profissional em 1944, integrando o histórico time de 1949 que originou o apelido “Furacão”. Em 2024, no centenário tanto do jogador quanto do clube, foi homenageado com o rosto estampado no bandeirão da torcida e com um patch comemorativo na camisa dos atletas.
Poucos dias antes de completar 102 anos, Jackson concedeu uma breve entrevista ao GEO, emocionando-se ao falar da saudade que sente do Furacão: “Saudades de tudo o que o Athletico fez. Gostaria de poder fazer de novo, o que é impossível. Mas a vontade de jogar de novo pelo Athletico vou ter até morrer.”
A passagem pelo Corinthians ocorreu em 1950, após uma proposta que ele considerou irrecusável. No alvinegro, marcou 35 gols em 57 partidas e encerrou sua trajetória no clube em 1953, conquistando o Campeonato Paulista de 1951.
Na continuidade da paixão pelo futebol, a bisneta de Jackson, Gabi, de 14 anos, atua como atacante na categoria sub‑15 do Avaí Kindermann, de Santa Catarina. Além do futebol de campo, a jovem também se destaca no futsal, tendo sido campeã da Copa América – série prata – em Montevidéu no ano passado.
Como já destacamos em nossa cobertura da vitória do Cruzeiro sobre o Athletico‑PR no Mineirão, o Furacão continua sendo protagonista de histórias marcantes. A partida de hoje reforça o legado de figuras como Jackson Nascimento, que permanecerão eternas na memória dos torcedores.
Com informacoes de Globo Esporte.

