Investigação no São Paulo: Casares é acusado de retirar R$ 100 mil em espécie por mês
As investigações envolvendo o ex-presidente do São Paulo, Julio Casares, ganharam novos desdobramentos. Duas testemunhas prestaram depoimento ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e à Polícia Civil e afirmaram, durante as oitivas, que o ex-mandatário retirava R$ 100 mil em espécie dos cofres do clube pelo menos uma vez por mês, seja em envelopes ou sacolas.
Os depoimentos foram colhidos pelo delegado Tiago Fernando Correia, da Polícia Civil, e pelos promotores José Reinaldo Carneiro e Tomás Ramadan, do MP-SP. As duas testemunhas ouvidas pelas autoridades trabalharam diretamente com o ex-presidente Casares, do início ao fim de sua gestão. O dirigente presidiu o clube de janeiro de 2021 a janeiro de 2026, quando renunciou ao cargo após a pressão do início das investigações por supostas irregularidades financeiras cometidas durante os dois mandatos.
As informações foram divulgadas em primeira mão e confirmadas posteriormente. Os depoimentos colhidos pelas autoridades também foram enviados ao São Paulo Futebol Clube, que está sob gestão do presidente Harry Massis até o fim do ano. Internamente, a Comissão de Ética também apura os casos de possíveis irregularidades na gestão de Casares.
A reportagem entrou em contato com Julio Casares, que se pronunciou por meio de nota oficial de seus advogados. O ex-presidente reiterou que as movimentações do dinheiro em espécie dizem respeito a, “no mínimo, 172 jogos do São Paulo em diversas competições”. “Ou seja, tudo com destinação certa, específica e formalmente contabilizada”, diz trecho do comunicado.
Em vídeo do depoimento, uma das testemunhas, que teve a imagem preservada, deu detalhes sobre como o dinheiro chegava, supostamente, às mãos de Casares. Segundo ela, o ex-presidente retirava valores entre R$ 100 mil e R$ 120 mil em dinheiro do São Paulo em espécie. O nome de Marcio Carlomagno, ex-CEO do clube, também foi citado na oitiva.
As autoridades, então, pressionaram por uma resposta sobre o direcionamento do dinheiro após a retirada em espécie. Contudo, a testemunha não soube dar mais detalhes e deixou a responsabilidade nas mãos de Casares. “Quem tem que explicar a utilização desses recursos é o presidente. De origem, ele usou para aquisição de ingressos. Destinar a alguém para que essa pessoa comprasse ingressos. Eu não consigo esclarecer, porque quem tem que esclarecer isso aos senhores é o presidente. [Foram] quase R$ 7 milhões [o valor total dos saques em espécie]. Eu não tenho conhecimento [de para onde ele levava esses valores]”, declarou.
Casares se pronunciou por meio de nota oficial de seus advogados e afirmou que “todas as movimentações financeiras possuem origem lícita e legítima”. Veja, abaixo, o comunicado na íntegra: “A defesa de Julio Casares, representada pelos advogados Daniel Bialski e Bruno Borragine, com vistas a restabelecer a verdade, reitera que todas as movimentações financeiras de Julio Casares possuem origem lícita e legítima.
As investigações sobre possíveis irregularidades na gestão Julio Casares tiveram início ainda em dezembro de 2025 com a revelação de um esquema ilegal de venda de ingressos para shows em um camarote no Morumbis. Mara Casares, diretora feminina, cultural e de eventos do São Paulo e ex-esposa do presidente tricolor, e Douglas Schwartzmann, diretor adjunto de futebol de base, foram citados nominalmente e pediram licença de seus respectivos cargos.
Com informacoes de Gazeta Esportiva.

