Intelbras (INTB3) amplia atuação com IA, drones e soluções 5G, reforçando foco em software e energia
A Intelbras (INTB3), empresa catarinense que completa meio século de existência, está se reposicionando para ser reconhecida como provedora de soluções em inteligência artificial, computação em nuvem e infraestrutura pesada. O resultado financeiro do segundo trimestre de 2026 mostrou um salto de 16,1% no lucro e margens superiores ao previsto, reforçando a estratégia de diversificação.
Instalada às margens da BR‑101, em São José, próximo a Florianópolis, a sede funciona como um laboratório ativo. Câmeras distribuídas por todo o campus realizam leitura de placas veiculares, permitem acesso por reconhecimento facial, monitoram muros com cercamento digital e ainda contabilizam o fluxo de pessoas em refeitórios e auditórios, gerando mapas de calor. Em uma sala de reunião, livre de câmeras, o vice‑presidente de B2B, Paulo Daniel Correa, explicou que a empresa já emprega IA há vários anos e que a tendência é de intensificação.
Correa destaca que o investimento tem sido direcionado a software, cloud, aplicativos e tecnologias embarcadas, fazendo com que o produto físico fique em segundo plano enquanto o software entrega a maior parte da experiência ao cliente. “Essa evolução vem de um esforço de nos tornarmos uma companhia de soluções nos eixos de segurança, conectividade e energia”, afirmou.
Entre as novidades, a Intelbras lançou a linha de câmeras VIPW (VIP + Wi‑Fi), que traz inteligência artificial nativa, imagens coloridas mesmo em ambientes escuros e integração total com sistemas de segurança e centrais de alarme. Os novos gravadores iNVDs e iNVUs permitem busca de imagens por texto; basta digitar termos como “pessoa com capacete” ou “mulher de camisa amarela” para que o sistema retorne os trechos correspondentes.
No segmento de conectividade, a empresa descartou linhas de baixo retorno para melhorar o mix de produtos. O setor cresceu 7% e agora representa 25% da receita operacional. Em paralelo, a área de energia, responsável por 15% da receita operacional líquida, reduziu a comercialização de kits solares residenciais para concentrar esforços em projetos de maior margem, como minigeração em usinas, carregadores para veículos elétricos e nobreaks de alta performance para o mercado corporativo.
O HUB Intelbras Experience, localizado no coração da matriz, funciona como showroom e centro de monitoramento. Telões exibem imagens em tempo real da Pedra Branca, bairro planejado em Palhoça, mostrando as câmeras operando de forma autônoma, acompanhando fluxo de veículos e pedestres. Um monitor tátil apresenta soluções para cidades inteligentes, abrangendo obras, bancos, trânsito e iluminação pública.
Ao lado, um drone DJI de última geração está em exibição. A Intelbras é a única parceira da DJI no segmento Enterprise no Brasil, distribuindo os aparelhos e integrando‑os ao software de monitoramento próprio, Intelbras Defense IA. Os drones já realizam patrulhas, identificam ocorrências, acionam sirenes e, em situações de emergência marítima, lançam boias para vítimas de afogamento.
Na área de varejo, a evolução das câmeras é ainda mais marcante. Em um corredor de supermercado, os sistemas agora produzem relatórios que identificam clientes, analisam expressões faciais diante de prateleiras de produtos, contam o número de pessoas, segmentam por faixa etária e gênero, e geram mapas de calor para indicar quais gôndolas concentram mais público e em quais horários. O software também sinaliza em tempo real a necessidade de reposição de estoque e avalia a reação dos consumidores a promoções, proporcionando ganhos operacionais reais, como aumento de vendas e redução de custos.
Como já apontamos em nossas análises sobre a reorientação estratégica de empresas brasileiras, a Intelbras demonstra que a combinação de hardware avançado e software inteligente pode criar novas fontes de receita e melhorar a eficiência dos clientes.
Com informacoes de Seu Dinheiro.

