Ímãs na porta da geladeira não afetam motor nem consumo, mas podem riscar acabamento
O hábito de encher a porta da geladeira com ímãs que exibem fotos, calendários ou lembranças é comum nas casas brasileiras, mas não há evidência de que esse costume comprometa o motor ou aumente o consumo elétrico do aparelho.
Os ímãs típicos utilizados nas portas permanecem externamente à estrutura onde estão instalados o compressor e os demais componentes do sistema de refrigeração. O campo magnético gerado por esses pequenos objetos concentra‑se em torno da própria peça e não tem alcance suficiente para interferir no motor, que funciona com campos projetados internamente.
Um estudo realizado pelo Oak Ridge National Laboratory (ORNL), nos Estados Unidos, analisou motores de refrigeração comercial que utilizam ímãs permanentes. A pesquisa mostrou que o consumo de energia depende do projeto do motor e, em alguns casos, os modelos com ímãs permanentes apresentaram menor demanda energética que outras tecnologias. Essa constatação reforça que o consumo da geladeira está ligado a fatores como eficiência do equipamento, temperatura ambiente, temperatura interna, frequência de abertura da porta, qualidade da vedação e desempenho do sistema de refrigeração, e não à presença de ímãs na porta.
Portanto, a ideia de que uma coleção de ímãs faz a geladeira trabalhar mais ou que o motor possa queimar por causa deles é um mito.
O ponto que realmente exige atenção é o acabamento da porta, sobretudo em modelos com superfície de aço inoxidável. A Whirlpool, em publicação oficial, alerta que ímãs com cantos afiados ou textura rugosa podem riscar o inox. A recomendação da fabricante é usar ímãs planos e revestidos com vinil, que apresentam menor risco de abrasão.
Além disso, nem todo aço inoxidável reage da mesma forma ao magnetismo. Alguns tipos são ferromagnéticos e permitem a aderência dos ímãs; outros não são magnéticos e os ímãs simplesmente escorrem.
Pequenas partículas de sujeira ou detritos que se alojam entre o ímã e a porta podem agir como abrasivos quando o ímã é deslocado, contribuindo para riscos no acabamento.
Em resumo, o maior mito das cozinhas brasileiras pode ser descartado: ímãs na porta da geladeira não comprometem o motor nem elevam o consumo de energia. O risco real limita‑se a possíveis riscos na superfície, principalmente em modelos de inox, e pode ser evitado escolhendo ímãs adequados e mantendo a porta limpa.
Com informacoes de Canaltech.

