Ibovespa fecha quase estável com alta mínima de 0,01% e dólar avança para R$5,15 após inflação dos EUA acima do esperado
O Ibovespa encerrou o pregão de quarta‑feira quase imóvel, subindo apenas 0,01% para 174.586,26 pontos, marcando a sexta alta seguida, apesar do clima de pessimismo que se instalou em Wall Street após a divulgação de um dado inflacionário mais forte nos Estados Unidos.
Na sessão, o dólar à vista registrou alta de 0,22%, cotado a R$ 5,1518, refletindo a reação dos mercados cambiais ao relatório do PCE.
No Brasil, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA‑15) apresentou recuo de 0,40% em agosto, encerrando o período de 12 meses com alta acumulada de 4,24%, dentro da meta de 3 % do Banco Central mais tolerância de 1,5 ponto percentual. A pesquisa Projeções Broadcast havia projetado deflação de 0,30% para o mês.
Nos EUA, o Personal Consumption Expenditures (PCE) subiu 0,2% em julho e acumulou 3,7% no ano, acima da meta de 2% do Federal Reserve. Analistas da FactSet esperavam alta de 0,1% no mês e 3,6% no acumulado, indicando que o resultado ficou ligeiramente acima do consenso.
A estrategista da XP, Rachel de Sá, comentou que “o índice brasileiro ficou um pouco abaixo do esperado, mas a inflação de curto prazo ainda traz algum alívio graças a fatores pontuais, como a queda mais acentuada nos alimentos e o efeito temporário do bônus de Itaipu na tarifa de energia”. Ela acrescentou que esse benefício deve terminar em setembro, revertendo o recuo observado.
Sobre o PCE, a mesma analista destacou que “a leve surpresa positiva no indicador completo, embora o núcleo tenha seguido a previsão, foi suficiente para azedar o humor do mercado, provocando elevação nas taxas de juros norte‑americanas e abertura da curva de juros, o que acabou repercutindo nas ações mais cíclicas brasileiras”.
O Tesouro Nacional divulgou o Plano Anual de Financiamento (PAF) da dívida pública, sem surpresas relevantes, mas apontou que a parcela da dívida atrelada à taxa Selic chegou a 53% do total, o maior nível da série histórica.
No segmento de energia, as ações da Petrobras (PETR3 e PETR4) oscilaram sem direção clara: PETR3 recuou 0,11% para R$ 45,93, enquanto PETR4 avançou 0,24% a R$ 41,45, sendo a mais negociada da B3. O setor bancário terminou em alta, com o Índice Financeiro (IFNC) subindo 0,27%. Já as ações da Vale (VALE3) caíram 0,32%, cotadas a R$ 78,45.
A performance positiva do Ibovespa foi liderada pela Magazine Luiza (MGLU3), que registrou alta de 3,74% a R$ 4,71. Em contraste, a Assaí (ASAI3) puxou a ponta negativa, com queda de 6,58% a R$ 8,37. Vale, Petrobras e os bancos compõem cerca de 50% da carteira teórica do índice.
Na esfera internacional, Wall Street fechou em baixa: Dow Jones recuou 0,21% para 53.464,59 pontos, S&P 500 caiu 0,02% para 7.675,82 pontos e Nasdaq perdeu 0,08% chegando a 29.130,197 pontos. O índice europeu Stoxx 600 avançou 0,01% para 656,41 pontos, enquanto na Ásia o Nikkei japonês subiu 0,62% a 66.262,16 pontos e o Hang Seng de Hong Kong ganhou 0,56% a 25.652,97 pontos.
Não é a primeira vez que o Ibovespa registra alta consecutiva em meio a incertezas externas; como já apontamos em 10/08, o índice pode fechar em leve recuo mesmo com a Petrobras em alta, mostrando a volatilidade que tem caracterizado o mercado brasileiro nas últimas semanas.
Com informacoes de Money Times.

