Hapvida (HAPV3) ganha novo problema: ANS barra estratégia que coloca 950 mil clientes na mira e ações caem quase 7%
Na quinta‑feira, 20 de agosto, o presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), Wadih Damous, anunciou a suspensão preventiva de reajustes e cancelamentos de contratos que a operadora Hapvida (HAPV3) havia divulgado recentemente.
A medida foi justificada pela agência como necessária para garantir o cumprimento das normas regulatórias e proteger os beneficiários diante da dimensão da proposta, que envolveria aproximadamente 950 mil vidas.
Na semana anterior, após divulgar resultados desastrosos referentes ao período de abril a junho – que provocaram queda de 33% nas ações em um único dia – a Hapvida utilizou a teleconferência de resultados para apresentar um plano de retomada focado na rentabilidade. No cerne da estratégia, a diretoria identificou quase 947 mil beneficiários, cerca de 11% da base total, que não entregariam retorno suficiente para a operadora.
Durante a mesma teleconferência, o CEO Luccas Adib afirmou que a empresa pretende aproveitar os próximos ciclos de renovação para renegociar esses contratos por meio de reajustes. Caso a conta não feche, a companhia admite a possibilidade de rescindir a cobertura desses clientes.
Em comunicado, a ANS informou que notificou a Hapvida para prestar esclarecimentos e que haverá reunião entre as partes para explicar a proposta de aplicar reajustes elevados ou cancelar unilateralmente contratos que envolvem cerca de 950 mil beneficiários. Damous ressaltou que, devido ao grande número de contratos e vidas envolvidas, a medida tem “aparência muito forte de seleção de risco”, prática proibida que será apurada pela agência, e que foi assinada medida cautelar para frear qualquer ação de rescisão ou reajuste até a entrega dos esclarecimentos.
A Hapvida, por sua vez, alegou ter tomado conhecimento da decisão apenas por meio da imprensa, afirmando que não foi formalmente notificada nem convocada previamente a prestar esclarecimentos ou apresentar os elementos técnicos, contratuais e regulatórios relacionados ao tema. A operadora solicitou audiência com a ANS e explicou que as medidas questionadas referem‑se a contratos inadimplentes e à renegociação de grandes contratos coletivos empresariais que apresentam desequilíbrio econômico‑financeiro. Segundo a empresa, essas negociações ocorrem nos períodos regulares de renovação, de forma individualizada e em conformidade com as normas da ANS.
Além disso, a Hapvida destacou que a revisão das condições contratuais não implica, necessariamente, o cancelamento dos contratos. “A decisão de rescisão ou saída será sempre do cliente, caso as bases de sustentabilidade do contrato não sejam alcançadas dentro do regime da livre iniciativa”, afirmou a companhia, que se comprometeu a apresentar à agência todos os esclarecimentos e informações pertinentes, reiterando confiança no diálogo com a ANS.
Com a notícia, as ações da Hapvida fecharam o dia em queda de 6,82%, cotadas a R$ 6,11.
Analistas do Itaú BBA, citados pela Reuters, observaram que a revisão de contratos e o reajuste de carteira eram partes importantes do plano da administração para melhorar a rentabilidade e a geração de caixa nos próximos trimestres. Contudo, ainda não está claro se a análise regulatória poderá limitar a implementação dessas medidas ou apenas afetar seu cronograma. “Neste momento, o desdobramento representa um risco de baixa para nossas estimativas futuras, ao potencialmente atrasar, restringir ou alterar o alcance das medidas planejadas”, apontaram os analistas em relatório a clientes.
Não é a primeira vez que a Hapvida enfrenta turbulência. Como já reportamos em 12 de agosto, a operadora viu seu lucro líquido ajustado despencar 95,8%, para R$ 12,5 milhões, no segundo trimestre, e, em 18 de agosto, registrou uma breve recuperação de 3,5% nas ações, embora ainda acumule queda de 40,25% no mês.
Com informacoes de Seu Dinheiro.

