Greve dos Correios segue sem previsão de fim; entenda impacto nas entregas e medidas adotadas

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 14/09/2026 10:41
Greve dos Correios segue sem previsão de fim; entenda impacto nas entregas e medidas adotadas

Foto: via G1

A greve dos Correios continua em tempo indeterminado, sem previsão de encerramento, conforme informou a Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (FINDECT). O movimento começou na sexta‑feira, 11 de setembro, depois que os trabalhadores rejeitaram, em assembleias, a proposta apresentada pela empresa nas negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2026/2028.

Entre as principais reivindicações da categoria estão avanços nas negociações, a preservação de direitos e garantias vinculadas ao plano de saúde de empregados, aposentados e dependentes. A FINDECT aponta que a direção dos Correios pretende alterar o benefício, o que tem sido ponto de impasse nas tentativas de mediação no Tribunal Superior do Trabalho (TST).

Em nota enviada ao G1, os Correios declararam ter ativado o “Plano de Continuidade de Negócios” para minimizar os efeitos da paralisação e garantir a manutenção dos serviços em todo o território nacional. A empresa não especificou se haverá mudanças nos prazos de entrega nem quais regiões poderão ser mais afetadas. A rede de agências permanece aberta ao público, e os clientes podem entrar em contato pelos telefones 4003‑8210 e 0800‑881‑8210 ou pelos canais digitais de atendimento.

Na sexta‑feira, 11 de setembro, os Correios ajuizaram pedido de dissídio coletivo no TST após o encerramento da mediação sem acordo. No sábado, 12 de setembro, o tribunal determinou, em decisão liminar, a manutenção de 80% do efetivo em atividade em cada unidade ou estabelecimento da empresa durante a greve. A medida abrange trabalhadores das áreas de atendimento, tratamento, transporte, distribuição e setores administrativos ou de suporte indispensáveis à continuidade da cadeia postal. O julgamento do dissídio está agendado para 21 de setembro, às 13h30, na Seção Especializada em Dissídios Coletivos (SDC), podendo ser antecipado caso as partes cheguem a acordo.

A FINDECT orienta os sindicatos filiados a manter a greve e as mobilizações, afirmando que permanece aberta ao diálogo e à construção de proposta que possa ser submetida à avaliação dos trabalhadores. As entidades que aprovaram a paralisação foram a SINTECT‑AC (Acre), com assembleia prevista para o dia, e a SINTECT‑SJO (São José do Rio Preto).

Do ponto de vista financeiro, os Correios registram prejuízo por 15 trimestres consecutivos. No primeiro semestre do ano, a estatal acumulou perda de R$ 5,6 bilhões. O déficit do segundo trimestre foi menor que o registrado nos dois trimestres anteriores – primeiro trimestre de 2026 e quarto trimestre de 2025 – embora o primeiro semestre tenha apresentado recorde de prejuízo. A empresa espera receber um novo empréstimo até 15 de setembro, proveniente de um consórcio de bancos. No final do ano passado, recebeu R$ 12 bilhões; agora, o consórcio deve incluir três instituições financeiras estrangeiras – Citibank, J.P. Morgan e Deutsche Bank – além do Banrisul, totalizando um aporte de R$ 7 bilhões, já confirmado nas demonstrações financeiras divulgadas no fim de agosto.

O Plano de Continuidade de Negócios contempla a mobilização de empregados administrativos para apoio às atividades operacionais, o remanejamento de veículos e a realização de mutirões destinados a preservar o fluxo logístico, enquanto as agências continuam abertas ao público.

Com informacoes de G1.

Tainá Ribeiro Alves

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