Grêmio Catanduvense: Um Capítulo Trágico no Futebol Paulista

Por Luiz Henrique Ferreira em Rio Verde, GO 18/07/2026 09:00
Grêmio Catanduvense: Um Capítulo Trágico no Futebol Paulista

Foto: via Gazeta Esportiva

O Grêmio Catanduvense terminou sua participação na Segunda Divisão do Campeonato Paulista de 2026 de forma trágica, com 10 derrotas, três gols marcados e 59 sofridos, o que representa a pior campanha da quinta divisão do Estadual. Além disso, o clube sofreu uma goleada histórica de 17 a 0 para o Independente de Limeira, a maior da história do futebol paulista profissional masculino.

Para entender como um clube que já frequentou a Série A-1 do Campeonato Paulista chegou a esse ponto, é necessário olhar para os bastidores. Marcelo Silva, ex-atleta do Santos e ex-executivo de futebol do Grêmio Catanduvense, foi contratado pelo presidente Sérgio Gomes em janeiro de 2026, com a missão de montar um elenco competitivo para a disputa da Segunda Divisão.

Marcelo Silva trabalhou em São Paulo na montagem do elenco, realizando peneiras em seu centro de treinamento na capital. Foram quatro amistosos e uma seleção de sete jogadores. Além disso, conseguiu articular empréstimos de atletas jovens de Santos, São Caetano e Juventus, entre 19 e 21 anos, com parte dos salários pagos pelos clubes de origem. No entanto, as propostas nunca avançaram, e o executivo relatou que o presidente do clube não tinha credibilidade no mercado.

Às vésperas da estreia no campeonato, Marcelo Silva foi até Catanduva pela primeira vez e encontrou um cenário que não esperava. O presidente havia sido preso no fim de semana anterior, após uma ocorrência de agressão doméstica. No alojamento do clube, que comportava 16 atletas, havia 27 e mais de dez dormiam na sala. Esportivamente falando, o mais grave estava nos contratos. O executivo descobriu que a maioria dos jogadores havia entregado dinheiro ao presidente, valores entre R$ 1 mil e R$ 3 mil, com a promessa de uma vaga no elenco profissional.

Com as inscrições no BID encerrando na sexta-feira e apenas dois jogadores regularizados, Marcelo passou a semana em Catanduva em uma tentativa de registrar o mínimo de atletas necessário para que pudessem disputar o torneio. As taxas de inscrição dos primeiros 11 atletas, assegura ele, foram pagas do próprio bolso. Quando Sérgio Gomes saiu da detenção e voltou ao clube, o comportamento do presidente só aprofundou a decepção de Marcelo.

O presidente Sérgio Gomes foi preso no dia 4 de abril, em flagrante, e ficou detido até o dia 10 de abril, quando foi revogada a prisão preventiva. No momento, ele está sob medida cautelar e precisa cumprir várias exigências legais, incluindo não sair no período da noite e ficar distante da vítima. Esta foi a terceira passagem do presidente por violência contra a mulher, todas em Catanduva entre 2024 e 2026.

O Catanduvense estreou contra a Santacruzense com 11 atletas, cinco deles da base, sem nenhuma substituição disponível. A delegação do clube viajou de van, saindo às 4h30. Depois do jogo, os jogadores ficaram 40 minutos esperando marmitex prometidas pelo presidente, que nunca chegaram. Marcelo, então, decidiu levar o grupo a um restaurante, pagou a conta e não conseguiu fazer com que o presidente o ressarcisse integralmente, recebendo R$ 100 de volta de um total de mais de R$ 500.

Marcelo Silva se desligou do clube após uma discussão com o presidente às vésperas da estreia na Segunda Divisão – a derrota por 6 a 0 para a Santacruzense aconteceu em 19 de abril. No entanto, ainda segue com o contrato em vigência há três meses sem receber salários. O ex-executivo também citou que levou 12 jogadores à delegacia para registrar boletim de ocorrência e denunciou a situação publicamente à torcida organizada do clube e a uma rádio local.

O presidente Sérgio Gomes não se manifestou sobre as acusações. Nas redes sociais, Gomes lamentou o desempenho do clube e fez críticas ao executivo Marcelo Silva. 'Eu sei que o nosso Grêmio Catanduvense não fez uma boa campanha na sua volta do profissional, errei ao contratar um executivo no início do ano acreditando nas promessas que nos fez, pois veio e fez uma bagunça dentro do clube, mas em 2027 voltaremos fortes', publicou Gomes.

Em 2012, o Catanduvense disputava a elite do futebol paulista, a Série A1, antes de ser rebaixado ao fim daquela temporada. O que se seguiu foi uma queda livre sem freio: cinco rebaixamentos em sete anos, passando pela A2, A3 e chegando à quinta divisão do Campeonato Paulista. Em 2019, o clube disputou sua última competição profissional antes de um hiato.

Com informacoes de Gazeta Esportiva.

Luiz Henrique Ferreira

Sobre o Autor: Luiz Henrique Ferreira

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