Fusão entre Paramount e Warner é Suspensa pela Justiça
A consolidação do mercado global de mídia sofreu um duro golpe judicial com a decisão de suspender a megafusão de US$ 112 bilhões entre a Paramount Skydance e a Warner Bros. Discovery (WBD) por 14 dias. A interrupção aconteceu após uma decisão liminar da Justiça dos Estados Unidos, que ouviu os argumentos das partes envolvidas em um tribunal de Oakland.
A ordem de restrição foi concedida pela juíza distrital da Califórnia, Araceli Martínez-Olguín, e trava a intenção inicial da Paramount de fechar o negócio de forma imediata, criando um forte impasse para a concretização do acordo. O litígio é liderado pelo procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, à frente de uma coalizão formada por 12 estados americanos.
Os procuradores alegam que a fusão é abertamente ilegal por criar um monopólio no setor de entretenimento, resultando no controle de quase um terço do mercado de cinema e da programação de TV paga nos EUA. Segundo o procurador Bonta, a união das empresas causará danos diretos ao consumidor final: “A fusão levaria a preços mais altos, menor qualidade e menos conteúdo para cinema e televisão, prejudicando cinemas, distribuidoras básicas de TV a cabo e, por fim, o público em todos os sofás e assentos de cinema nos EUA”.
Pelo acordo, seriam unificados sob a mesma bandeira os estúdios de cinema Paramount e Warner Bros., a rede de TV aberta CBS e canais pagos de peso como CNN, TNT, MTV e BET. Além das plataformas de streaming Paramount+ e HBO Max. A Paramount defende o negócio classificando a transação como “pró-competitiva”.
A pausa de 14 dias pode ser apenas o início de uma longa batalha nos tribunais. Caso os estados obtenham uma nova liminar estendendo o bloqueio para além do final de setembro, a Paramount passará a enfrentar um prejuízo financeiro avassalador por cláusulas contratuais. Se o fechamento da fusão não ocorrer até 30 de setembro, entra em vigor uma taxa que obriga a Paramount a pagar US$ 0,25 por ação a cada trimestre aos acionistas da WBD.
O valor representa uma sangria de aproximadamente US$ 650 milhões em dinheiro por trimestre (mais de R$ 3,5 bilhões). Além disso, a Paramount concordou com uma taxa de separação (breakup fee) fixada em astronômicos US$ 7 bilhões caso o negócio venha a fracassar em definitivo por barreiras regulatórias na América do Norte ou na Europa.
Com informacoes de RD1.

