Febre do Nilo Ocidental permanece rara no Brasil, apesar de casos confirmados em SC e SP
Casos de Febre do Nilo Ocidental foram registrados em Santa Catarina e São Paulo, totalizando dois casos confirmados em cada estado até 2026, segundo informações do Ministério da Saúde. Em Santa Catarina, um dos casos evoluiu para óbito e ainda está sob investigação.
O infectologista André Bon explicou que a doença, conhecida em inglês como West Nile, é uma das arboviroses mais disseminadas no mundo, porém no Brasil ocorre apenas de forma eventual e não há transmissão humana persistente. As epizootias podem acontecer em animais, pois o ciclo da doença se mantém entre pássaros e insetos.
Assim como a dengue e a chikungunya, a transmissão para humanos ocorre por um mosquito, especificamente o pernilongo do gênero Culex. No Brasil, a transmissão humana é uma zoonose – o mosquito se infecta ao picar pássaros contaminados e, eventualmente, pode transmitir o vírus a pessoas, embora isso seja extremamente raro.
Os casos brasileiros tendem a ser mais leves, porém a Febre do Nilo Ocidental pode provocar encefalite, meningite e formas de paralisia que lembram a poliomielite. Os riscos de óbito e de manifestações graves são maiores em pacientes idosos, imunossuprimidos, oncológicos ou transplantados de órgão sólido.
Não há tratamento específico para a doença; o manejo é de suporte, semelhante ao adotado em outras arboviroses como a dengue. Os sintomas iniciais mais frequentes são febre e dor corporal, embora esses sinais ainda sejam incomuns no Brasil.
O infectologista do Hospital Samaritano Paulista, Cristiano Gamba, detalhou que pacientes com quadro leve a moderado recebem cuidados sintomáticos, hidratação e antitérmicos, com monitoramento próximo. Nos casos graves – encefalite, meningite ou paralisia – a internação em Unidade de Terapia Intensiva é necessária, porém não há medicamentos específicos contra o vírus.
Quanto às sequelas, Gamba apontou que o sistema nervoso central pode ser o mais afetado. Embora a maioria das infecções seja benigna e não deixe sequelas, quando há comprometimento cerebral pode haver um amplo espectro de consequências neurológicas.
O Ministério da Saúde está investigando um possível caso da Febre do Nilo Ocidental no Piauí e, em conjunto com estados e municípios, mantém vigilância epidemiológica e laboratorial para identificar novos casos e áreas de transmissão. A pasta também presta apoio técnico aos estados e prepara nota técnica com orientações atualizadas para reforçar a vigilância da doença no país.
O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece atendimento, diagnóstico e tratamento a casos suspeitos ou confirmados. O diagnóstico é realizado por exames laboratoriais e o tratamento varia conforme a gravidade. Os principais sintomas são febre de início abrupto, dor de cabeça, dores musculares, náuseas e vômitos, e pessoas que apresentem esses sinais devem procurar um serviço de saúde.
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Com informacoes de CNN Brasil.

