Estudo da Universidade de East Anglia mostra que memórias envelhecem e perdem detalhes

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 24/08/2026 23:00
Estudo da Universidade de East Anglia mostra que memórias envelhecem e perdem detalhes

Foto: via Globo

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de East Anglia, na Inglaterra, revelou que o envelhecimento altera a forma como as memórias são recuperadas, reduzindo detalhes sensoriais e ampliando informações gerais.

A pesquisa, divulgada em 27 de julho na revista acadêmica Psychology and Aging, contou com a participação de 74 voluntários, divididos igualmente entre 37 estudantes e 37 adultos mais velhos. O professor Louis Renault, da Escola de Psicologia da mesma universidade, foi o principal autor e explicou que a mudança está ligada a alterações nos mecanismos cerebrais de recuperação.

Os participantes foram submetidos a tarefas envolvendo memórias autobiográficas, isto é, lembranças pessoais que constroem a história de vida. Receberam palavras‑chave, como “mercado”, e foram solicitados a evocar duas categorias de lembrança: memórias específicas, como a festa de aniversário, e memórias categóricas, como o trajeto habitual até o trabalho. Primeiro, deveriam recuperar cada categoria isoladamente; depois, foram instruídos a alternar entre elas, exigindo maior controle cognitivo.

Os resultados apontaram que alternar entre tipos de memória acarretou queda de desempenho em todas as idades, mas os adultos mais velhos foram particularmente impactados nas memórias rotineiras. Quando a tarefa exigia mudar de categoria, eles apresentaram menor precisão ao descrever o trajeto para o trabalho, enquanto as lembranças de eventos específicos, como a festa de aniversário, sofreram menos comprometimento.

Ao analisar o conteúdo das recordações, os pesquisadores observaram que os idosos ofereceram narrativas de memórias específicas com menos descrições sensoriais e emocionais – imagens, sons e sentimentos foram menos frequentes. Em contrapartida, aumentou a presença de detalhes semânticos, ou seja, informações gerais e interpretações sobre o acontecimento.

O mesmo padrão emergiu nas memórias categóricas: em vez de preservar múltiplos pormenores de uma situação particular, as lembranças passaram a depender mais de conhecimentos genéricos sobre aquele tipo de experiência.

Segundo Renault, “à medida que envelhecemos, nossas memórias tendem a se tornar menos detalhadas e mais gerais, focando na história como um todo”. O estudo conclui que o envelhecimento da memória vai além do mero esquecimento, envolvendo mudanças na forma de acesso e expressão das informações armazenadas.

Com informacoes de Globo.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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