Equipe LZ registra evento singular que pode apontar para matéria escura

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 03/09/2026 08:40
Equipe LZ registra evento singular que pode apontar para matéria escura

Foto: via Estadão

Durante a SP Innovation Week, o pesquisador Ivair Gontijo, da NASA, afirmou que a colonização de Marte é viável com esforço contínuo, ao participar de entrevista no podcast do Estadão às 18h46.

Um grande número de físicos tem dedicado anos à inspeção de informações provenientes de um detector situado nas profundezas da Terra, com o objetivo de captar o mais tênue indício de uma parte do cosmos que permanece escura e fora de alcance direto. O projeto, conhecido como Experimento de Matéria Escura LZ, busca a substância invisível cuja gravidade governa o movimento de galáxias e estrelas.

Os pesquisadores evitam afirmar que já detectaram matéria escura, porém ressaltam que o evento observado não corresponde a nenhuma interação de partículas já conhecida no domínio subatômico. Os resultados foram primeiramente divulgados em uma conferência internacional de astrofísica de partículas no Japão, e, poucas horas depois, a colaboração LZ disponibilizou um artigo detalhado em seu site, que será submetido à revista Physical Review Letters para avaliação por pares.

“Estou extremamente empolgada”, declarou Katherine Freese, física teórica da Universidade do Texas em Austin, elogiando as técnicas analíticas empregadas pela equipe LZ como “fenomenais”.

A matéria escura, que não emite, absorve ou reflete luz, representa cerca de 85 % da massa total do universo, o que a torna onipresente porém inacessível. Diversas teorias propõem que ela poderia ser composta por partículas massivas de interação fraca (WIMPs), que, embora predominantemente interajam gravitacionalmente, poderiam ocasionalmente colidir com núcleos atômicos gerando quantidades mínimas de energia detectáveis.

O detector LZ consiste em um tanque contendo mais de 7 toneladas de xenônio líquido. Quando partículas penetram o xenônio e interagem com seus átomos, produzem flashes de luz característicos e um fluxo de elétrons, permitindo inferir a massa e a localização da partícula incidente. Os cientistas esforçam‑se ao máximo para que esses sinais não sejam mascarados por interações de partículas já conhecidas, comparando a tarefa a “procurar uma agulha num palheiro”, segundo Alvine Kamaha, físico do Laboratório Nacional de Luz (LZ) da UCLA, que coordenou a construção do equipamento.

Instalado a 1,6 km abaixo da superfície, o experimento fica protegido pela rocha que bloqueia a radiação cósmica, enquanto um banho de água ao redor do tanque impede a entrada de nêutrons capazes de gerar falsos positivos. O xenônio passa por processos de purificação para eliminar contaminantes radioativos que também poderiam gerar eventos indesejados.

Durante meses, o LZ registrou dezenas de interações diárias. A equipe analisou dados referentes a 220 dias de operação, descartando tudo que não se alinhava ao perfil teórico mais simples de uma colisão WIMP. Inicialmente, nada foi encontrado, mas ao ampliar a busca para incluir modelos mais complexos de partículas WIMP, restou apenas um evento singular: uma partícula que atingiu o detector em 16 de junho de 2023, gerando um clarão de luz e um fluxo de carga ao colidir com o núcleo de um átomo de xenônio.

Esse registro possui aproximadamente 1 em 400 chances de ser um acaso, correspondendo a um nível de confiança de cerca de 3 sigma – ainda abaixo do padrão ouro de 5 sigma exigido para confirmar uma descoberta. O físico Richard Gaitskell descreveu o caso como “intrigante”, ao mesmo tempo que alertou que pode se tratar de matéria comum interagindo de maneira ainda não compreendida.

O futuro do experimento depende da acumulação de mais dados; até o momento, o detector já acumulou quase quatro vezes mais eventos do que aqueles analisados no estudo divulgado.

Separadamente, a NASA lançou recentemente o telescópio espacial Roman, que deverá produzir um novo “Atlas do Universo” e potencialmente revelar sinais misteriosos vindos do centro da Via Láctea, prometendo transformar a astrofísica.

Com informacoes de Estadão.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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