Entregadores criam base de apoio com café, banheiro e videogame
Enquanto milhões de brasileiros recebem refeições e compras em casa por meio de aplicativos, uma iniciativa criada pelos próprios entregadores busca dar suporte a quem passa o dia nas ruas. Em São Paulo, uma base mantida com doações de motoboys oferece água, café, banheiro, micro-ondas, tomadas para recarregar celulares e até um lugar para descansar entre uma entrega e outra.
O espaço foi mostrado no quadro 'Delivery com Maju', em que a jornalista Maju Coutinho conversa com entregadores sobre os desafios da profissão. Durante a entrevista, o motoboy conhecido como Jobinho, um dos organizadores da base, afirma que o local surgiu para suprir necessidades básicas enfrentadas pela categoria. Segundo dados do IBGE, o Brasil tinha cerca de 485 mil entregadores por aplicativo em 2024, número quase 10% maior do que o registrado dois anos antes.
A base funciona como um ponto de apoio para quem passa horas trabalhando nas ruas. Além de café, água e marmitas, o local conta com sofá, videogame, banheiro, micro-ondas e tomadas para recarregar celulares e baterias de bicicletas elétricas. Tudo é mantido com a colaboração dos próprios entregadores. Segundo Jobinho, o espaço vai além do conforto e atende trabalhadores que, muitas vezes, não conseguem sequer usar um banheiro durante o expediente.
Jobinho relata que muitos estabelecimentos permitem o uso do banheiro apenas para clientes, o que dificulta a rotina de quem passa o dia fazendo entregas. Ele também diz que, quando um motoboy sofre um acidente, toda a renda da família pode ser comprometida. 'O motoboy é o provedor da casa. Mas, quando esse cara se machuca, ele vira um custo', afirma.
De acordo com Jobinho, a base também acolhe entregadores que não têm onde dormir em São Paulo. Alguns trabalham durante a madrugada e utilizam o espaço para descansar antes de retomar a jornada. Quando o local está fechado, eles recorrem a motéis para passar a noite. O entregador afirma que manter o projeto é uma prioridade para quem participa da iniciativa. 'O projeto não pode parar de jeito nenhum', diz.
Jobinho conta que migrou para as entregas durante a pandemia de Covid-19, depois de trabalhar como motorista de aplicativo. Ele começou como auxiliar de um amigo, passou pela bicicleta, por uma mobilete e, mais tarde, comprou a própria moto. Hoje, diz que trabalha de segunda a segunda e destaca que a principal vantagem da profissão é poder definir os próprios horários. Em compensação, a renda varia diariamente e depende da demanda e das condições de trabalho. 'Quando você vira motoboy, você não sabe quanto vai ganhar no mês. Só sabe quanto tem que pagar', afirma.
Com informacoes de G1.

