Entregadores criam base de apoio com café, banheiro e videogame

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 10/08/2026 00:20
Entregadores criam base de apoio com café, banheiro e videogame

Foto: via G1

Enquanto milhões de brasileiros recebem refeições e compras em casa por meio de aplicativos, uma iniciativa criada pelos próprios entregadores busca dar suporte a quem passa o dia nas ruas. Em São Paulo, uma base mantida com doações de motoboys oferece água, café, banheiro, micro-ondas, tomadas para recarregar celulares e até um lugar para descansar entre uma entrega e outra.

O espaço foi mostrado no quadro 'Delivery com Maju', em que a jornalista Maju Coutinho conversa com entregadores sobre os desafios da profissão. Durante a entrevista, o motoboy conhecido como Jobinho, um dos organizadores da base, afirma que o local surgiu para suprir necessidades básicas enfrentadas pela categoria. Segundo dados do IBGE, o Brasil tinha cerca de 485 mil entregadores por aplicativo em 2024, número quase 10% maior do que o registrado dois anos antes.

A base funciona como um ponto de apoio para quem passa horas trabalhando nas ruas. Além de café, água e marmitas, o local conta com sofá, videogame, banheiro, micro-ondas e tomadas para recarregar celulares e baterias de bicicletas elétricas. Tudo é mantido com a colaboração dos próprios entregadores. Segundo Jobinho, o espaço vai além do conforto e atende trabalhadores que, muitas vezes, não conseguem sequer usar um banheiro durante o expediente.

Jobinho relata que muitos estabelecimentos permitem o uso do banheiro apenas para clientes, o que dificulta a rotina de quem passa o dia fazendo entregas. Ele também diz que, quando um motoboy sofre um acidente, toda a renda da família pode ser comprometida. 'O motoboy é o provedor da casa. Mas, quando esse cara se machuca, ele vira um custo', afirma.

De acordo com Jobinho, a base também acolhe entregadores que não têm onde dormir em São Paulo. Alguns trabalham durante a madrugada e utilizam o espaço para descansar antes de retomar a jornada. Quando o local está fechado, eles recorrem a motéis para passar a noite. O entregador afirma que manter o projeto é uma prioridade para quem participa da iniciativa. 'O projeto não pode parar de jeito nenhum', diz.

Jobinho conta que migrou para as entregas durante a pandemia de Covid-19, depois de trabalhar como motorista de aplicativo. Ele começou como auxiliar de um amigo, passou pela bicicleta, por uma mobilete e, mais tarde, comprou a própria moto. Hoje, diz que trabalha de segunda a segunda e destaca que a principal vantagem da profissão é poder definir os próprios horários. Em compensação, a renda varia diariamente e depende da demanda e das condições de trabalho. 'Quando você vira motoboy, você não sabe quanto vai ganhar no mês. Só sabe quanto tem que pagar', afirma.

Com informacoes de G1.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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