Dossiê Morumbis: São Paulo arrecada R$ 90 milhões a mais com shows do que com jogos
O São Paulo arrecadou cerca de R$ 100 milhões com apresentações no estádio Morumbis desde dezembro de 2023, quando firmou o primeiro acordo com a produtora Live Nation.
No mesmo período, precisou mandar 12 partidas longe do Morumbis. Se esses jogos tivessem sido disputados em casa, a bilheteria estimada renderia R$ 11,4 milhões ao clube.
A diferença é ampla: os shows renderam quase R$ 90 milhões a mais ao São Paulo do que o clube deixou de ganhar com bilheteria ao atuar fora de seu estádio.
A conta feita pelo ge considera, de um lado, os valores arrecadados pelo São Paulo com os shows, e do outro, compara a renda líquida efetiva dos jogos disputados fora com a estimativa do que essas partidas renderiam no Morumbis, com base na média de arrecadação do estádio em cada temporada.
Nem mesmo o custo com o gramado altera esse cenário. Desde o início da parceria, o clube precisou trocar completamente o piso do estádio cinco vezes, mas a despesa, de cerca de R$ 4 milhões, é bancada pela Live Nation por contrato.
Outro ponto frequentemente citado por torcedores é o possível prejuízo esportivo. Nos 12 jogos disputados fora do Morumbis, estima-se que 287.789 torcedores deixaram de comparecer, considerando a média de público do estádio em cada ano.
Ainda assim, o desempenho foi positivo: seis vitórias, quatro empates e duas derrotas, com 22 pontos conquistados de 36 possíveis, aproveitamento de 61,1%.
O segundo contrato assinado com a Live Nation, em junho de 2025, ainda pode render ao clube cerca de R$ 105 milhões. O acordo foi fechado por número de shows, não por prazo: 36 shows a serem realizados no estádio em, no máximo, seis anos – média de seis por temporada.
Se calcular os valores, o Morumbis recebeu 26 shows desde a assinatura do primeiro contrato, em dezembro de 2023. Desses, 12 ficaram fora da conta atual por terem ocorrido antes da renovação. Além disso, uma data reservada por Harry Styles foi cancelada.
No contrato assinado em dezembro de 2023, o clube recebia R$ 1,5 milhão fixo pelo aluguel do estádio, 30% do lucro líquido de alimentos e bebidas e 15% do lucro líquido com merchandising.
A média era de R$ 2,3 milhões por show para o clube. Foram 12 apresentações realizadas neste modelo, rendendo cerca de R$ 27,6 milhões ao clube.
No entanto, a renovação do acordo, em junho de 2025, aumento os valores. O aluguel passou para R$ 2,15 milhões, a porcentagem de alimentos e bebidas subiu para 40% e o clube também passou a receber R$ 20 por ingresso vendido.
Assim, a partir de outubro de 2025, a receita média por show no Morumbis passou a R$ 5 milhões. Foram 14 shows realizados nesses moldes, além de uma data reservada e cancelada – que rendeu apenas o valor do aluguel ao clube.
A arrecadação nesse período chegou a R$ 72,15 milhões. O valor se divide da seguinte forma: R$ 32,25 milhões fixos apenas com aluguel do estádio, cerca de R$ 17,7 milhões com 886 mil ingressos vendidos, além da estimativa de R$ 22,3 milhões com merchandising, alimentos e bebidas.
Desde então, o São Paulo precisou mandar oito jogos longe do estádio: Flamengo, Bragantino, Juventude, Internacional, Chapecoense, Mirassol, Bahia e Athletico-PR.
Desses, quatro foram realizados na Vila Belmiro, dois em Bragança Paulista, um no Canindé e um em Campinas. A renda líquida dessas partidas foi extremamente baixa, chegando a registrar prejuízo em três jogos: Juventude e Internacional, na Vila Belmiro, além de Athletico-PR, em Bragança.
No total, as oito partidas renderam R$ 1.009.862,00 ao clube. Se tivessem sido realizadas no Morumbis, com base na média de público do estádio em cada temporada, as oito partidas renderiam R$ 8.987.200,00 líquidos.
A diferença, portanto, seria de R$ 7.977.338,00.
Com informacoes de ge.

