Detector de IA da Meta falha em identificar imagens próprias após edição

Por Viviane Cristina Santos em Rio Verde, GO 10/07/2026 21:50
Detector de IA da Meta falha em identificar imagens próprias após edição

Foto: via Canaltech

Uma ferramenta de detecção de imagens geradas por inteligência artificial (IA) da Meta falhou em identificar 55% das próprias imagens produzidas pelo Muse Image depois que elas foram cortadas, segundo análise da Reuters publicada recentemente. O teste avaliou 40 imagens geradas pelo modelo de IA da empresa. A ferramenta, apresentada em pré-visualização na mesma semana do lançamento do Muse Image, conseguiu identificar corretamente todas as imagens originais submetidas pela reportagem.

O problema apareceu quando as fotos foram cortadas para cerca de um terço a metade do tamanho original. A empresa afirma, em seu site, que a ferramenta consegue reconhecer imagens geradas por seus modelos de IA mesmo após cortes, graças a um sistema de marca d'água invisível chamado Content Seal. A tecnologia é incorporada a toda imagem criada pelo Muse Image e serve para indicar se o conteúdo foi produzido por sistemas da Meta.

Questionada pela Reuters sobre os resultados da análise, a Meta respondeu que a ferramenta ainda está em fase de pré-visualização. A empresa disse que a marca d'água foi projetada para resistir a edições comuns, mas que o sinal pode se perder em cortes mais agressivos. Google e OpenAI já alertaram que suas próprias ferramentas de detecção também não são infalíveis diante de técnicas de alteração de imagens.

Especialistas apontam limites da tecnologia de marca d'água. Siwei Lyu, professor de ciência da computação na Universidade de Buffalo e pesquisador de forense de imagens de IA, afirmou à Reuters que sistemas baseados em marca d'água têm limitações conhecidas, já que qualquer modificação capaz de remover ou enfraquecer o sinal embutido, como corte, redimensionamento, compressão pesada ou edição, pode reduzir a eficácia da detecção.

Sarah Barrington, pesquisadora de IA e doutoranda na Escola de Informação da Universidade da Califórnia em Berkeley, disse à Reuters que a marca d'água ainda representa um caminho promissor para identificar conteúdo gerado por IA, mesmo sem cobrir todos os casos. Ela comparou a tecnologia a medidas preventivas de segurança física ou cibernética, que raramente são infalíveis, mas ainda representam avanço em relação à ausência total de controle.

A falha ganha relevância em um ano marcado por eleições importantes, período em que a dificuldade de verificar imagens após alterações simples pode facilitar a circulação de deepfakes. Em março, o Comitê de Supervisão da Meta, órgão que analisa decisões de conteúdo nas plataformas da empresa, já havia cobrado investimento em ferramentas de detecção mais robustas diante da proliferação de conteúdo enganoso gerado por IA.

A ferramenta permite criar imagens a partir de comandos de texto e edições, mas também gerou controvérsia por possibilitar que usuários manipulem fotos públicas de outras pessoas no Instagram sem notificação prévia. Dias depois, a Meta anunciou também o Muse Spark 1.1, modelo de raciocínio multimodal voltado para tarefas agênticas, com avanços em uso de ferramentas, programação e compreensão multimodal.

Com informacoes de Canaltech.

Viviane Cristina Santos

Sobre o Autor: Viviane Cristina Santos

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