Construtoras perdem valor em julho, mas podem se tornar oportunidades de investimento

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 31/07/2026 09:20
Construtoras perdem valor em julho, mas podem se tornar oportunidades de investimento

Foto: via InfoMoney

As ações de construtoras figuram entre os destaques negativos da Bolsa brasileira nas últimas semanas, pressionadas por preocupações com o crédito imobiliário, desaceleração nas vendas e receios sobre o crescimento do setor. No acumulado de julho até o dia 30, Direcional (DIRR3) caía 17% e figurava como a maior baixa do Ibovespa no mês, enquanto Cury (CURY3) tinha perdas de 12,62%, terceira maior baixa do índice no período.

Para analistas, porém, a recente correção abriu espaço para oportunidades, especialmente entre as empresas voltadas ao programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), em um momento em que a inflação dá sinais de alívio e reforça as apostas de queda da Selic. Entre os destaques estão Tenda (TEND3), negociada a 5,5 vezes o lucro estimado para 2026, Cury (CURY3), a 7 vezes, e Direcional (DIRR3), a 6 vezes.

O Bradesco BBI também apontou que a queda das ações do setor parece ter sido excessiva, sobretudo entre as construtoras de baixa renda. Segundo o banco, os papéis do segmento passaram a negociar cerca de 40% abaixo das máximas recentes e próximos das mínimas de 52 semanas, apesar de os fundamentos continuarem relativamente saudáveis.

A principal preferência é Cury (CURY3), seguida por Tenda (TEND3) e Direcional (DIRR3). O BBA também viu sua avaliação ganhar força após uma reunião com executivos da Caixa Econômica Federal, principal financiadora do mercado habitacional brasileiro. Segundo o banco, a Caixa reiterou sua intenção de ampliar a carteira de crédito imobiliário em 2026, com foco especialmente no Minha Casa Minha Vida.

A Caixa projeta conceder R$ 260 bilhões em financiamentos habitacionais neste ano, acima dos R$ 246 bilhões registrados em 2025. Além disso, a Caixa sinalizou que não pretende restringir a oferta de crédito ao segmento popular e afirmou que a inadimplência permanece sob controle, apesar das preocupações recentes do mercado.

Do lado macroeconômico, o cenário também começou a jogar a favor das incorporadoras. A prévia da inflação oficial, o IPCA-15, desacelerou para 0,06% em julho, abaixo das expectativas do mercado e no menor nível para o mês em três anos. O resultado reforçou as apostas de que o Banco Central poderá iniciar um ciclo de afrouxamento monetário nos próximos meses.

Em relatório recente, o Safra argumenta que a desaceleração da inflação tende a beneficiar especialmente as construtoras, tanto por reduzir a pressão sobre custos de construção quanto por aumentar as chances de queda dos juros. O banco avalia que o movimento melhora a acessibilidade ao crédito imobiliário e favorece a demanda por imóveis, sobretudo no segmento de baixa renda.

Com informacoes de InfoMoney.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

Cobre o que o Brasil está buscando agora: famosos, esporte, tech, games e virais.