Construtoras perdem valor em julho, mas podem se tornar oportunidades de investimento
As ações de construtoras figuram entre os destaques negativos da Bolsa brasileira nas últimas semanas, pressionadas por preocupações com o crédito imobiliário, desaceleração nas vendas e receios sobre o crescimento do setor. No acumulado de julho até o dia 30, Direcional (DIRR3) caía 17% e figurava como a maior baixa do Ibovespa no mês, enquanto Cury (CURY3) tinha perdas de 12,62%, terceira maior baixa do índice no período.
Para analistas, porém, a recente correção abriu espaço para oportunidades, especialmente entre as empresas voltadas ao programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), em um momento em que a inflação dá sinais de alívio e reforça as apostas de queda da Selic. Entre os destaques estão Tenda (TEND3), negociada a 5,5 vezes o lucro estimado para 2026, Cury (CURY3), a 7 vezes, e Direcional (DIRR3), a 6 vezes.
O Bradesco BBI também apontou que a queda das ações do setor parece ter sido excessiva, sobretudo entre as construtoras de baixa renda. Segundo o banco, os papéis do segmento passaram a negociar cerca de 40% abaixo das máximas recentes e próximos das mínimas de 52 semanas, apesar de os fundamentos continuarem relativamente saudáveis.
A principal preferência é Cury (CURY3), seguida por Tenda (TEND3) e Direcional (DIRR3). O BBA também viu sua avaliação ganhar força após uma reunião com executivos da Caixa Econômica Federal, principal financiadora do mercado habitacional brasileiro. Segundo o banco, a Caixa reiterou sua intenção de ampliar a carteira de crédito imobiliário em 2026, com foco especialmente no Minha Casa Minha Vida.
A Caixa projeta conceder R$ 260 bilhões em financiamentos habitacionais neste ano, acima dos R$ 246 bilhões registrados em 2025. Além disso, a Caixa sinalizou que não pretende restringir a oferta de crédito ao segmento popular e afirmou que a inadimplência permanece sob controle, apesar das preocupações recentes do mercado.
Do lado macroeconômico, o cenário também começou a jogar a favor das incorporadoras. A prévia da inflação oficial, o IPCA-15, desacelerou para 0,06% em julho, abaixo das expectativas do mercado e no menor nível para o mês em três anos. O resultado reforçou as apostas de que o Banco Central poderá iniciar um ciclo de afrouxamento monetário nos próximos meses.
Em relatório recente, o Safra argumenta que a desaceleração da inflação tende a beneficiar especialmente as construtoras, tanto por reduzir a pressão sobre custos de construção quanto por aumentar as chances de queda dos juros. O banco avalia que o movimento melhora a acessibilidade ao crédito imobiliário e favorece a demanda por imóveis, sobretudo no segmento de baixa renda.
Com informacoes de InfoMoney.

