Com "O Sorveteiro", filmes gore de horror provocam risos com violência exagerada

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 06/09/2026 14:41
Com "O Sorveteiro", filmes gore de horror provocam risos com violência exagerada

Foto: via Folha de S.Paulo

Crianças brincam no recreio: jogam cabeças, pulam corda com tripas humanas e deitam-se em poças de sangue. Em "O Sorveteiro", já nos cinemas, quem consome os sorvetes do personagem‑título entra em um transe psicótico e comete assassinatos em massa.

Lançado em agosto nos Estados Unidos, o filme de Eli Roth foi detonado pelo uso da violência extrema e pela inteligência artificial, que o diretor afirma ter ajudado a contornar o baixo orçamento após estúdios renomados recusarem o projeto.

Não é a primeira vez que o diretor de "O Albergue" flerta com o exagero: em 2023 ele uniu horror e humor em "Feriado Sangrento", um slasher sobre um assassino mascarado que ri do consumismo ao transformar a Black Friday num massacre generalizado.

Há quem diga que longas desse tipo se resumem ao sangue gratuito; outros os veem como uma maneira de rever o que é considerado aceitável. Para Roth, a ideia é divertir a plateia com o absurdo, mesmo quando as risadas são involuntárias.

Filmes como "O Sorveteiro" existem há décadas, mas têm ganhado espaço nos últimos tempos. Enquanto o cenário anda de mãos dadas com títulos independentes — o palhaço de "Terrifier", por exemplo, arrecadou dezenas de vezes o orçamento dos três filmes da saga — a estratégia tem alcançado prêmios e grandes estúdios.

Em 2024, as transformações corporais de "A Substância" arrancaram gargalhadas, e o filme chegou ao Oscar ao debater o etarismo e pressões estéticas.

Um ano depois, a Warner fez o público morrer de rir com o fim de "A Hora do Mal", apesar do tom sombrio da trama. Na cena, a bruxa Gladys é perseguida por crianças que quebram janelas, invadem casas e fazem de tudo para desmembrar o seu corpo. Após viralizar, a sequência inspirou a esquete de abertura do último Oscar.

Outra safra que segue divertindo são as dos animais mortais — recentemente, os ataques vieram de macacos, aranhas e até de um bicho‑preguiça.

Embora histórias absurdas cruzem linhas tênues, cabe diferenciar esses filmes do "terror", subgênero que parodia códigos do terror e costuma ser mais ameno.

Longe da franquia "Todo Mundo em Pânico", o pesquisador Carlos Primati cita Ivan Cardoso, que ironizou clichês de monstros como a Múmia com a rebeldia do cinema marginal.

São filmes que se diferenciam, explica Primati, dos de José Mojica Marins, o Zé do Caixão, que encarava dilemas existenciais em um Brasil ditatorial.

Ainda assim, os visuais amadores e os exageros do personagem tiram várias risadas.

Em casos grotescos, diz o cineasta Steven Kostanski, o riso surge como uma defesa contra o choque.

Para Wheeler Winston Dixon, professor emérito da Universidade de Nebraska–Lincoln que estudou a história do horror e a comédia sombria do cinema de 1960, quem ri dessas cenas "morre por dentro". Ele cita as críticas sociais de "A Substância" e coloca o filme entre os poucos de terror que agradaram nos últimos anos.

Franquia "Terrifier" usa sanguinolência para desbancar novo "Coringa". Como "O Macaco" transforma morte em comédia de horror sobre relação de pais e filhos. Dono da Troma diz que

Com informacoes de Folha de S.Paulo.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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