Colombiano atravessa o Amazonas a nado e segue rumo a Belém para alertar contra a poluição

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 28/08/2026 12:20
Colombiano atravessa o Amazonas a nado e segue rumo a Belém para alertar contra a poluição

Foto: via DOL

Wilber, ativista de 45 anos e pai de duas filhas, iniciou sua travessia a nado em 13 de outubro de 2025, partindo da região de Cusco, no Peru, e já acumulou aproximadamente 6,6 mil quilômetros ao longo da jornada.

Depois de cruzar diversas regiões peruanas, o nadador passou pela Colômbia e ingressou no território brasileiro pela cidade de Tabatinga, no Amazonas, seguindo depois por Manaus, Parintins, Juruti, Óbidos, Santarém e Curralinho, no Marajó, antes de chegar ao estado do Pará, onde a reta final se mostra mais desgastante.

Wilber prevê passar pela Baía do Guajará em 27 de agosto, mas admite que o corpo está “muito ressentido”, relatando cansaço intenso, uma infecção de pele e a necessidade de repousar nas comunidades que visita para se alimentar e recuperar as forças antes de retornar à água.

A relação com a natação começou na infância, quando seu pai o matriculou em aulas gratuitas oferecidas pelo município. Formado em Educação Física, ele competiu pela universidade e, ao longo dos anos, buscou desafios cada vez maiores em corrida, ciclismo e natação, encontrando na água a oportunidade de unir esporte e conscientização ambiental.

Embora seja colombiano, Wilber se autodenomina amazônico e afirma ser apaixonado pela natureza da região: “Sou amazônico também, mas da Colômbia”. Ele está separado da esposa, mas a família acompanha a aventura e apoia a decisão, apesar dos riscos.

No início da expedição, o atleta chegou a nadar até 100 quilômetros em um único dia. Atualmente, ele permanece cerca de seis horas diárias na água, com velocidade média reduzida a aproximadamente 4 quilômetros por hora na região paraense, devido à correnteza e às condições mais desafiadoras do rio.

A alimentação tem papel essencial: Wilber consome proteínas como peixe, carne, frango e ovos, além de experimentar pratos típicos oferecidos pelos moradores, como jacaré e tartaruga, e destaca o açaí do Pará como fonte de energia.

A expedição não conta com estrutura contratada; todo o apoio – combustível, alimentação, hospedagem e logística – vem de voluntários, moradores locais e prefeituras. Nas comunidades menores, o nadador dorme em redes ou barracas, sem luxo algum.

A embarcação que acompanha a travessia sofreu danos em Manaus, exigindo reparos que mantiveram Wilber na cidade por cerca de duas semanas. Quando não está na água, ele realiza palestras em escolas e universidades para divulgar a iniciativa e discutir a preservação dos rios.

Um dos episódios mais críticos ocorreu ainda no Peru, quando uma forte tempestade o deixou isolado por aproximadamente três horas, com raios caindo próximo à água. O medo de morrer marcou profundamente o ativista, que considera os temporais mais perigosos que os animais aquáticos como jacarés e piranhas.

O contato constante com a água trouxe problemas de saúde: Wilber ingeriu água do rio em diversas ocasiões e adoeceu três vezes no Peru, sendo que uma das crises foi grave o suficiente para colocar em dúvida a continuidade da jornada. O descanso e o atendimento recebido ao longo do percurso permitiram que ele retomasse a expedição.

Ao percorrer milhares de quilômetros dentro do Amazonas, Wilber observa o rio não apenas das margens, mas também de dentro, reforçando seu propósito de alertar sobre a poluição e a necessidade de conservação dos ecossistemas fluviais.

Com informacoes de DOL.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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