Colesterol elevado na infância: quando iniciar a investigação?

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 30/08/2026 19:40
Colesterol elevado na infância: quando iniciar a investigação?

Foto: via Terra

Doenças cardiovasculares foram responsáveis por 19,8 milhões de óbitos em 2022, representando cerca de um terço das mortes globais, segundo a Organização Mundial da Saúde. No Brasil, a Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que todas as crianças realizem ao menos um exame de colesterol entre 9 e 11 anos de idade.

Embora ainda se escute que colesterol alto seja “uma doença de adulto”, os boletins do Ministério da Saúde já associam a obesidade infantil a esse problema, listando-o ao lado de diabetes e hipertensão como consequência direta do excesso de peso. O aumento da obesidade infantil fez com que o achado de colesterol elevado deixasse de ser raro e se tornasse comum nos consultórios, embora nem toda criança com colesterol alto esteja acima do peso, nem toda criança obesa apresente níveis alterados. Fatores genéticos, alimentação e prática de atividade física interagem para definir o risco individual.

As diretrizes pediátricas estabelecem dois períodos de triagem universal: entre 9 e 11 anos e novamente entre 17 e 21 anos. Nas faixas etárias intermediárias, a avaliação deve ser seletiva para quem apresenta obesidade, diabetes, exposição ao tabagismo passivo ou histórico familiar de infarto precoce.

Os valores de referência para crianças e adolescentes são: colesterol total considerado aceitável abaixo de 170 mg/dL e LDL abaixo de 110 mg/dL. Para adultos, o colesterol total ideal é inferior a 190 mg/dL e o LDL deve ficar abaixo de 115 mg/dL em perfis de baixo risco. Quando o total atinge 230 mg/dL ou mais, há indicativo de necessidade de investigação aprofundada.

“A faixa dos 9 aos 11 anos para solicitar o exame visa identificar alterações silenciosas que podem passar despercebidas e evoluir para complicações futuras”, afirma a pediatra Camila Luizetto, do Hospital Nove de Julho, Rede Américas.

Em alguns casos, a elevação não está ligada a hábitos, mas a mutações genéticas, como a hipercolesterolemia familiar. Essa condição faz com que o fígado produza excesso de LDL, promovendo acúmulo de gordura nas paredes arteriais e não responde apenas a dieta e exercício. Na maioria dos pacientes, a medicação é necessária desde a juventude, e o diagnóstico precoce é crucial para a qualidade de vida e a saúde cardiovascular, explica o cardiologista Eduardo Lima, também do Hospital Nove de Julho.

Estima‑se que entre 250 mil e 300 mil brasileiros convivam com hipercolesterolemia familiar, a maior parte ainda sem diagnóstico. Globalmente, menos de 10 % das pessoas com a doença sabem que a possuem, e o diagnóstico costuma ocorrer após um familiar jovem sofrer infarto ou AVC.

Os hábitos alimentares continuam sendo um dos principais moduladores do LDL. O consumo exagerado de gorduras de origem animal – pele de frango, carnes gordurosas como costela, manteiga, requeijão, queijos amarelos, embutidos, fast‑food e frituras – eleva os níveis de colesterol. Por outro lado, alimentos ricos em fibras – aveia, grãos integrais, frutas e verduras – favorecem a metabolização e diminuem a absorção de gorduras, colaborando para a redução dos valores circulantes.

Não há alimento milagroso capaz de normalizar o colesterol isoladamente. Misturas populares nas redes sociais, como berinjela com laranja, ainda não têm comprovação científica de efeito significativo.

Ao detectar colesterol fora dos padrões, a orientação inicial é buscar avaliação conjunta de um cardiologista e de um pediatra, para que os resultados sejam interpretados corretamente e sejam adotadas as condutas adequadas.

Com informacoes de Terra.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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