Cassandra Wilson, a voz contralto que redefiniu o jazz, morre aos 70 anos

Por Leonardo Prado Ramos em Rio Verde, GO 02/09/2026 18:21
Cassandra Wilson, a voz contralto que redefiniu o jazz, morre aos 70 anos

Foto: Billboard

Cassandra Wilson, a cantora, compositora e produtora de jazz duas vezes vencedora do Grammy, morreu aos 70 anos.

Apelidada pela Time magazine em 2001 como a melhor cantora da América, Wilson era conhecida por sua voz que transcendia gêneros, expandindo os limites do jazz tradicional baseado no blues e navegando com facilidade por folk, pop, R&B, country e além.

No centro de toda a sua obra estava seu contralto idiossincrático, um som soulful intimamente ligado às suas raízes; como Jon Batiste escreveu em um elogio na quarta‑feira, Wilson soava como o Sul.

Ela faleceu na manhã de terça‑feira em sua cidade natal, Jackson, Mississippi, conforme confirmou o Coroner do Condado de Hinds, Jeramiah Howard.

“É com profunda tristeza que anunciamos o falecimento de Cassandra Wilson, a artista lendária e vencedora do Grammy. Cassandra Wilson partiu pacificamente em casa, cercada por família, amigos próximos e sua manager,” declarou a manager em comunicado enviado à estação de jazz WBGO.

Wilson nasceu e cresceu em Jackson, filha do músico Herman B. Fowlkes e da professora Mary Fowlkes. Desde cedo, ela se apaixonou por música ao ouvir Motown, Miles Davis e Thelonious Monk. Começou aulas de piano aos seis anos e mais tarde tocou clarinete em bandas de marcha.

Durante seus estudos na Millsaps College e na Jackson State University, ela se apresentava em cafés e em bandas de covers. No início da década de 80, recebeu mentoria de grandes nomes do jazz em Nova Orleans antes de se mudar para Nova Iorque, onde integrou o M‑Base Collective de Steve Coleman, tornando‑se a vocalista principal do grupo.

Sua voz instantaneamente reconhecível rendeu quatro indicações ao Grammy e duas vitórias na categoria de Melhor Álbum Vocal de Jazz – em 1997 por “New Moon Daughter” e em 2009 por “Loverly”. Como já destacamos em nossa cobertura sobre o Grammy 2027, o prêmio continua sendo um termômetro das transformações musicais.

Em 2015, Wilson realizou um concerto especial no lendário Apollo Theater para comemorar o centenário da cantora de blues Billie Holiday e, no mesmo ano, lançou seu último álbum, “Coming Forth by Day”, uma homenagem a Holiday.

No ano de 2022, recebeu o título de Jazz Master do National Endowment for the Arts, uma das mais altas honras concedidas a músicos de jazz nos Estados Unidos.

Jon Batiste prestou uma homenagem no Instagram, afirmando: “Ela tinha um timbre vocal inconfundível, fraseado e sua abordagem de entrelaçar música folclórica, R&B e músicas da diáspora com gêneros experimentais e populares teve um grande impacto em mim.” Ele acrescentou: “Sua herança do Mississippi estava sempre presente em tudo, não importa o quanto sua arte se expandisse,” e compartilhou um clipe dos dois juntos na TV brasileira em 2009.

O prefeito de Jackson, John Horhn, declarou que a cidade “perdeu uma filha nativa extraordinária, e o mundo perdeu uma voz musical singular.” Ele ressaltou que “Cassandra Wilson carregou o som, o espírito e a história do Mississippi onde quer que sua música chegasse,” elogiando a “profunda profundidade de caráter e compreensão de como a música move as pessoas, conta histórias e conecta gerações.” A declaração foi compartilhada com a WJTV.

Com informacoes de Billboard.

Leonardo Prado Ramos

Sobre o Autor: Leonardo Prado Ramos

Léo Prado é o repórter de música do MOTNAF.NEWS: rap e hip-hop nacional e internacional, pop, sertanejo, funk, lançamentos de álbuns e singles, shows, turnês, charts (Billboard/Spotify) e prêmios. Vive ligado no que toca.