Casagrande relembra Rock in Rio 1985 enquanto festival atual se transforma
Na sexta‑feira (4) deu início a edição atual do Rock in Rio, que deixou de ser exclusivamente rock para se tornar um festival de música de estilos variados, atraindo público de todas as idades, estados e países, refletindo o modo de consumo cultural contemporâneo.
Casagrande recorda que participou do primeiro Rock in Rio, realizado em janeiro de 1985 no Rio de Janeiro, considerado o primeiro grande festival de rock do Brasil. Ele ressalta que, antes disso, o Queen já havia se apresentado no Morumbi em 1981, marcando o primeiro grande show lotado e demonstrando a paixão nacional pelo rock ’n’ roll, o que inspirou o empresário Roberto Medina a idealizar o festival.
Nos anos 80, o heavy metal dominava o cenário mundial, assim como o new wave. No Rock in Rio 1985, se apresentaram bandas internacionais históricas como Iron Maiden, AC/DC, Scorpions, Ozzy Osbourne e Whitesnake. Também subiram ao palco artistas de outros estilos: James Taylor (folk), George Benson e Al Jarreau (jazz e R&B) e Rod Stewart (blues rock do Faces). O new wave foi representado pelos The B‑52s, Go‑Go’s e pela alemã Nina Hagen, novidade para o público brasileiro da época, que vivia sem celular, redes sociais, YouTube ou canais a cabo.
Ao lado dos estrangeiros, o festival contou com artistas brasileiros que, segundo Casagrande, seriam mais bem recebidos pelo público atual do que foram em 1985. Entre eles estavam Barão Vermelho, Paralamas do Sucesso, Blitz, Pepeu Gomes, Gilberto Gil e Alceu Valença, que foram bem aceitos pelos “metaleiros”. Em contraste, Lobão, Ney Matogrosso, Erasmo Carlos, Lulu Santos e Kid Abelha, acompanhados por Eduardo Dusek, foram vaiados e até atingidos por objetos lançados ao palco, gerando polêmica.
A organização do evento de 1985 também foi criticada por dividir as atrações de forma a misturar estilos em cada dia, o que irritou o público predominantemente metaleiro. Casagrande relata que, na época, o festival era visto como exclusivamente rock, sem a diversidade de palcos que caracteriza a edição atual, onde cada palco tem um estilo específico e o público pode escolher entre múltiplas atrações.
Na época, Casagrande treinava a pré‑temporada do Corinthians no Parque São Jorge. No sábado, 19 de janeiro, após o treino matinal, ele, o amigo Sollitinho e o lateral Ismael pegaram o carro e partiram para a Cidade do Rock, escolhendo o dia por causa das apresentações de Pepeu Gomes, Baby do Brasil, e principalmente Whitesnake (que substituiu o Def Leppard), Scorpions, Ozzy e AC/DC, que consideravam imperdíveis. Saíram do parque por volta das 12h30, chegaram à porta da Cidade do Rock às 17h, compraram ingressos e iniciaram a “viagem” ao sonho que parecia impossível.
Casagrande descreve o momento em que Ozzy Osbourne subiu ao palco lentamente, carregando uma cruz enorme, vestindo capa preta, sem camisa e com as tatuagens à mostra, enquanto a banda iniciava a introdução de “Sabbath Bloody Sabbath”. O clima, segundo ele, ficou “incrível”, como se todo mundo tivesse parado de respirar diante de um espetáculo que normalmente só se via pela TV. Ozzy interpretou músicas de sua carreira solo, e Casagrande, que havia acabado de adquirir o álbum “Speak of the Devil” (1982), ficou maravilhado com os clássicos do Black Sabbath.
O concerto do AC/DC também marcou a primeira vez que Casagrande viu a banda ao vivo; ele já possuía todos os discos do grupo e descreve a experiência como impactante.
Comparando com a edição atual, Casagrande observa que o festival oferece atrações para todos os gostos, com múltiplos palcos, entretenimento diversificado e a presença de celebridades que buscam exposição na imprensa, ao contrário dos anos 80, quando o público comparecia em bermudas ou calças jeans surradas e camisetas estampadas com ícones do rock — a sua, por exemplo, era do Ozzy.
Com informacoes de UOL.

