Carga de Champanhe Descoberta em Naufrágio do Mar Báltico Era Presente para Czar Russo
Um naufrágio no Mar Báltico, descoberto em 2024, revelou uma carga de champanhe que era destinada à mesa do czar Alexandre II da Rússia. A conclusão é resultado de uma investigação conduzida por mergulhadores e especialistas, que conseguiram reconstruir a história da embarcação a partir da carga preservada a 58 metros de profundidade, ao sul da ilha sueca de Öland.
O navio, que afundou sem tombar, permaneceu conservado graças às águas frias e de baixa salinidade do Mar Báltico. Entre os objetos recuperados estavam dezenas de garrafas de champanhe, recipientes de água mineral Selters em cerâmica, porcelanas e outros itens de luxo.
Segundo a equipe da Baltictech, o trabalho de inverno foi decisivo para avançar na compreensão do caso. Em comunicado, os pesquisadores destacam que o objetivo era "obter mais informações sobre o naufrágio, sua carga e sua história, e, mais importante, conseguir permissão para uma investigação oficial". A autorização foi concedida com apoio do Instituto de Pesquisa Arqueológica Marítima (MARIS) e da administração regional sueca de Blekinge.
A expedição retornou ao local no fim de abril, quando as condições do Mar Báltico, ainda extremamente frias, mas com uma visibilidade que permitiu novas análises. Esse navio, segundo os pesquisadores, permaneceu "em perfeito estado" durante o inverno, protegido por medidas de preservação implementadas após a descoberta.
Os mergulhadores também recuperaram um prato de cerâmica da empresa britânica Davenport, que pôde ser datado de 1856. Como esse tipo de louça não permanecia por muito tempo no inventário de bordo, a descoberta indica que o navio provavelmente iniciou sua fatídica viagem no final de 1856 ou no início de 1857.
A análise do conteúdo das garrafas já havia começado em parceria com a Louis Roederer, em Reims, na França. Os primeiros resultados indicam que o champanhe teria sido produzido por volta de 1850, possivelmente para a corte do Império Russo.
Com base nas evidências reunidas, incluindo porcelanas datadas de 1856 e selos de produção, os pesquisadores acreditam que o navio fazia parte de uma missão diplomática enviada por Adolfo, Duque de Nassau, ao czar Alexandre II. A carga incluía champanhe, vinho, água mineral, couro e porcelana, todos destinados à corte russa em um momento de reabertura diplomática após a Guerra da Crimeia.
Os pesquisadores agora planejam uma nova etapa de exploração do naufrágio. A expectativa é localizar estruturas ainda não mapeadas do porão de carga e, possivelmente, o sino da embarcação.
Com informacoes de Globo.

