Caiado busca terceira via: segurança, vacina e anistia para atrair eleitores indecisos
Ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado foi sabatinado nesta quarta‑feira pelos jornais O Globo, Valor e pela rádio CBN, em entrevista que abordou sua estratégia política para as eleições de 2026.
Segundo a análise, existe um eleitorado que não aceita o PT, mas também não deseja votar em Flávio Bolsonaro; esse segmento é o principal alvo de Caiado.
No campo da segurança, Caiado superou seu desempenho no Jornal Nacional ao apresentar propostas concretas, como o enfrentamento de facções criminosas, a construção de 40 presídios de segurança máxima e a consideração do crime organizado como problema nacional; sua resistência à adoção de câmeras corporais, apesar da ampla aprovação popular, foi interpretada como um aceno ao bolsonarismo.
Para os moradores da periferia, segurança significa voltar do trabalho à noite, garantir que a filha pegue ônibus sem risco e usar o celular na rua sem transformar cada esquina em roleta‑russa, ideia que Caiado vinculou a uma visão de ordem como organização da vida em 2026.
Entretanto, o caminho para a chamada “terceira via” não se resume à segurança; dois temas adicionais são decisivos: vacinação e anistia. Caiado se diferencia de Bolsonaro ao defender a vacinação contra a Covid‑19, mas converge ao prometer anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro.
Pesquisas qualitativas realizadas pela consultoria Locomotiva revelam resistência dos eleitores pendulares à proposta de anistia, que para alguns equivale a um “atestado de culpa”. O governo costuma rotular esse eleitor como contraditório, mas os dados apontam para um conjunto de demandas: polícia mais forte, manutenção de programas sociais, responsabilidade fiscal, apoio à vacinação, antipetismo e exigência de que quem tentou um golpe responda à Justiça.
Caiado compara sua proposta de anistia à suposta “anistia de Lula”. Contudo, Lula não foi anistiado; suas condenações foram anuladas por decisões judiciais que questionaram a competência da Vara de Curitiba, e o Supremo Tribunal Federal reconheceu parcialidade de Sergio Moro no caso do triplex. Anulação judicial e anistia são institutos diferentes.
O eleitor que Caiado busca costuma ser mais escolarizado, acompanha o noticiário e desconfia das narrativas prontas dos dois polos, exigindo coerência factual. Caiado, com quatro décadas de carreira política, mantém um estilo interiorano que gera simpatia: fala de forma coloquial, conta casos, chama o interlocutor pelo nome e costuma retornar a Goiás quando lhe perguntam o que faria no Brasil.
A terceira via proposta não consiste em ficar no meio de Lula e Bolsonaro, mas em oferecer algo que nenhum dos dois apresenta. Esse eleitor não quer apenas trocar os personagens da polarização, mas sair da lógica dela. Defender a vacina e, simultaneamente, abraçar a anistia coloca o candidato com um pé em cada margem, o que, segundo a análise, impede a construção de uma verdadeira terceira via.
Conclui‑se que uma terceira via viável deve evitar o equilíbrio sobre duas extremidades e apresentar um plano coerente, baseado em fatos, que responda ao desejo do eleitor pendular por ordem, segurança e governança responsável.
Com informacoes de O GLOBO.

