Brasil registra quatro casos de vírus do Nilo Ocidental em 2026, com uma fatalidade
O Ministério da Saúde confirmou, até o momento, quatro casos de infecção pelo vírus do Nilo Ocidental (West Nile virus – WNV) no Brasil em 2026, sendo um deles fatal. Os registros compreendem dois pacientes no estado de São Paulo, dois em Santa Catarina e um caso provável no Piauí, cuja confirmação ainda está em análise.
Em São Paulo, a primeira paciente viajou recentemente para a região amazônica; contudo, a localização exata da provável exposição ao vírus permanece sob investigação e as autoridades de saúde ainda não divulgaram os sintomas específicos apresentados por ambas as pacientes paulistas.
Em Santa Catarina, uma senhora de 77 anos, residente em Imbituba, faleceu no dia 8 de agosto após apresentar febre que evoluiu para um quadro neurológico grave. O diagnóstico confirmou a presença do vírus do Nilo Ocidental. No mesmo estado, um homem de 56 anos, natural de Caçador, desenvolveu manifestações neurológicas, foi internado e já recebeu alta hospitalar.
Com os dois casos paulistas e os dois catarinenses, o total de confirmações chega a quatro casos em 2026, incluindo a única morte registrada. Um caso provável foi identificado no Piauí, mas aguarda confirmação laboratorial.
O vírus do Nilo Ocidental, cientificamente denominado Orthoflavivirus nilense, circula no Brasil há quase duas décadas, porém passou despercebido até recentemente. O agente patogênico tem origem em aves silvestres e é transmitido principalmente por mosquitos do gênero Culex, insetos que se proliferam em ambientes com água contaminada por matéria orgânica, como fossas, valas e esgotos a céu aberto.
Estima‑se que cerca de 80% das pessoas infectadas permaneçam assintomáticas, enquanto aproximadamente 20% apresentam sintomas leves, como febre, cefaleia, dores corporais e, ocasionalmente, manchas cutâneas – quadro que pode ser confundido com dengue. Menos de 1% das infecções (aproximadamente 1 em cada 150 casos) evoluem para formas graves, atingindo o sistema nervoso central e resultando em meningite, encefalite ou paralisia semelhante à poliomielite. Entre os casos graves, cerca de 10% culminam em óbito, risco que dobra em indivíduos com mais de 70 anos.
Não existe vacina ou tratamento antiviral específico para o WNV; a assistência médica se limita ao suporte clínico. A resposta imunológica inicial depende da produção de interferons nas primeiras horas de infecção. Falhas nessa defesa podem permitir que o vírus alcance o cérebro. Estudos apontam que variantes genéticas herdadas e a presença de anticorpos auto‑antagônicos contra interferons – observados em cerca de 40% dos pacientes com forma grave – são fatores que aumentam a vulnerabilidade.
Especialistas ressaltam que, apesar da preocupação da população, o WNV não apresenta potencial para gerar epidemias de magnitude similar à dengue no Brasil, mas a vigilância epidemiológica deve ser intensificada para evitar novos casos graves.
Com informacoes de O GLOBO.

