Brasil Enfrenta Crise de Identidade e Qualidade na Copa do Mundo

Por Luiz Henrique Ferreira em Rio Verde, GO 07/07/2026 09:00
Brasil Enfrenta Crise de Identidade e Qualidade na Copa do Mundo

Foto: JEWEL SAMAD / AFP

A eliminação do Brasil nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, seu pior desempenho em Copas desde 1990, expôs problemas estruturais que explicam o declínio gradual da seleção com mais títulos mundiais. Abaixo, três razões para a atual má fase da equipe comandada pelo técnico Carlo Ancelotti, que perdeu por 2 a 1 para a Noruega de Erling Haaland no domingo, em East Rutherford, Nova Jersey.

Não houve jogo bonito no MetLife Stadium, nos arredores de Nova York. O estilo ofensivo e estético que tornou o Brasil mundialmente famoso há muito tempo está ausente do repertório da ‘seleção canarinho’. Na partida das oitavas de final, a seleção que talvez melhor personifique a paixão entre homem e bola cedeu o domínio e o controle aos escandinavos. Os brasileiros tiveram apenas 32,1% da posse de bola e jogaram principalmente no contra-ataque, uma estratégia que, no entanto, se mostrou eficaz o suficiente para transformar o goleiro nórdico, Orjan Nyland, na estrela da partida.

Antes do jogo, Ancelotti reiterou seu desejo por uma equipe com “múltiplas identidades”, em vez de apenas a abordagem ofensiva esperada do Brasil, para lidar melhor com as diversas estratégias empregadas pelos adversários. Mas o estilo de jogo contra a seleção nórdica, que triunfou graças a dois gols de Haaland, gerou protestos. “O Brasil jogou atrás, jogou defensivamente contra a Noruega. Essa é a nossa capacidade hoje, infelizmente”, disse à AFP o ex-jogador da seleção brasileira e comentarista Walter Casagrande.

Tendo disputado a Copa do Mundo de 1986, no México, Casagrande há muito questiona a qualidade da atual geração da Seleção. O talento da geração liderada por Vinícius Júnior e companhia tem sido alvo de críticas, inclusive do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A venda precoce de jovens jogadores e um foco no desenvolvimento voltado para atrair o interesse do mercado europeu são vistos como fatores-chave para a escassez de astros com verdadeiro ‘DNA brasileiro’.

O próprio ‘Carletto’, o primeiro técnico estrangeiro a comandar a ‘Amarelinha’ desde 1965, reconheceu a falta de laterais de alto nível e meio-campistas criativos. Neymar foi talvez o único superastro a surgir no país desde que Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho conquistaram o pentacampeonato em 2002. Kaká foi o último brasileiro a conquistar a Bola de Ouro, em 2007, há quase duas décadas. Além disso, a Seleção não vence uma equipe europeia na fase de mata-mata da Copa do Mundo desde a conquista da quinta estrela na Coreia do Sul e Japão.

Neymar, que anunciou sua aposentadoria da Seleção após a eliminação diante da Noruega, nunca conseguiu levar a equipe a uma final de Copa do Mundo, e lesões marcaram seus últimos anos. “O principal erro de Carlo Ancelotti foi convocar Neymar [que chegou lesionado e jogou apenas dois períodos no segundo tempo]. Danilo, Casemiro, Alex Sandro… esquece. Quando é preciso reconstruir, tem que apostar na juventude”, disse Casagrande.

O Brasil carece de um camisa 9 temido desde os tempos de Ronaldo e Adriano. Nesse intervalo, jogadores como Luís Fabiano, Fred, Gabriel Jesus, Richarlison e, mais recentemente, Matheus Cunha foram testados, mas sem sucesso. O atacante do Manchester United marcou três gols durante a Copa de 2026 na América do Norte, um a menos que Vini Jr., o artilheiro da Seleção no Mundial.

A responsabilidade de marcar gols recaiu sobre Cunha, que geralmente se sente mais confortável atuando como falso 9 ou meia-atacante, e sobre Vini, ponta de origem capaz de jogar mais centralizado no ataque. Os centroavantes de ofício não marcaram: Igor Thiago, segundo maior artilheiro da temporada anterior da Premier League, com 22 gols, teve poucas oportunidades, enquanto Endrick, o prodígio de 19 anos, entrou em campo como opção para mudar o jogo em quatro partidas.

“Os caras tinham o Haaland, um matador. A gente não tem. Ele teve as chances dele e marcou dois gols”, escreveu o ex-atacante Romário no Instagram. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) está confiante de que Ancelotti, vencedor de todos os principais títulos por clubes, pode conduzir a Seleção na direção certa, visando à Copa do Mundo de 2030.

Para esse torneio, a entidade espera contar com um elenco mais robusto, sem desfalques importantes como os que foram sentidos nos Estados Unidos, como os de Rodrygo e Estêvão. “O que nos gera alguma expectativa e esperança para o próximo ciclo é a certeza de uma continuidade que nos possibilita fazer ajustes para chegar mais fortes na Copa”, disse Rodrigo Caetano, diretor de seleções da CBF.

Com informacoes de Gazeta Esportiva.

Luiz Henrique Ferreira

Sobre o Autor: Luiz Henrique Ferreira

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