BofA eleva recomendação e preço‑alvo da Suzano: três pilares sustentam a compra
O Bank of America (BofA) revisou sua posição sobre a Suzano (SUZB3), passando de neutra para compra e aumentando o preço‑alvo para R$ 66 por ação, ou US$ 13 por ADR, segundo relatório divulgado nesta segunda‑feira (24).
A nova perspectiva baseia‑se em três elementos: a expectativa de que a celulose esteja próxima de seu fundo de preço, a possibilidade de um câmbio favorável e um valuation considerado atrativo.
Sobre o primeiro ponto, o banco afirma que o “fundo do poço da celulose está próximo”. Conversas recentes com participantes do setor levaram os analistas a concluir que os preços da commodity tendem a tocar um piso. As carteiras de pedidos melhoraram em julho e permaneceram saudáveis em agosto, enquanto os estoques dos compradores continuam baixos. A sazonalidade mais favorável a partir de setembro deve reforçar a recuperação. Nesse cenário, a estimativa de piso da celulose de fibra curta foi elevada de US$ 520 para US$ 550 por tonelada, e a projeção para o preço da commodity na China em 2026 subiu de US$ 563 para US$ 581 por tonelada.
O segundo fator refere‑se ao câmbio. O BofA indica que uma eventual desvalorização do real, especialmente em torno das eleições brasileiras, pode gerar um impulso adicional aos resultados da Suzano, cujas receitas estão amplamente atreladas ao dólar.
Quanto ao valuation, o banco calcula um rendimento do fluxo de caixa livre (FCF yield) de 14 % para 2027, o que considera atrativo mesmo sob premissas mais conservadoras para os preços da celulose no longo prazo.
Além desses três pilares, a Suzano apresenta projeção de custo de produção de R$ 800 por tonelada em 2026, abaixo dos R$ 820 a R$ 825 registrados no primeiro semestre, sinalizando melhoria de margem na segunda metade do ano.
O BofA ressalta que a mudança de visão não implica uma tese estrutural sobre o mercado de celulose, mas sim uma virada cíclica. Apesar de custos de produção mais altos oferecerem suporte ao preço no fundo do ciclo, margens frágeis do papel e a entrada de nova capacidade produtiva devem limitar o potencial de alta da commodity a longo prazo. O banco mantém a região de US$ 600 por tonelada como possível teto para a celulose.
Não é a primeira vez que analisamos recomendações de instituições financeiras que impactam setores de commodities; recentemente, ao destacar o fundo BCDI11, abordamos como avaliações de risco podem mudar o panorama de investidores defensivos.
Com informacoes de Money Times.

