Barretos busca manter grade sertaneja atrativa em 2026 diante de escassa renovação de estrelas
A Festa do Peão de Barretos, maior rodeio da América Latina, tem como maior desafio para a edição de 2026 montar uma programação musical que una os principais nomes da música brasileira e ofereça ao público algo que não encontre em outras festas do país.
A dificuldade surge porque o mercado sertanejo brasileiro não tem renovação suficiente de grandes estrelas. Enquanto a música country americana vive um boom de novos artistas como Morgan Wallen, Luke Combs e Ella Langley, o sertanejo carece de nomes novos capazes de ocupar rapidamente o espaço dos medalhões consolidados.
Pedro Muzetti, diretor cultural de Barretos, afirma que a falta de novos nomes no sertanejo interfere diretamente na montagem da grade: "A música country hoje está com uma renovação gigante. Antigamente eles tinham os grandes medalhões, igual a gente tem aqui. Só que lá deu um boom nos últimos anos de artistas novos que estão fazendo sucesso, que é o que a gente precisa hoje no Brasil. A gente não tem tantos nomes novos. Temos grandes nomes consolidados, mas precisávamos ter muito mais nomes novos no sertanejo para facilitar também que a gente faça a grade".
Um ranking divulgado em julho pela Pró-Música, entidade que representa as principais gravadoras e produtoras fonográficas do país, ilustra o cenário. Entre as 50 músicas mais tocadas no Brasil no primeiro semestre de 2026, apenas duas sertanejas aparecem nas dez primeiras posições: "Eu Te Seguro", de Panda, e "Tubarões", de Diego & Victor Hugo. O restante do top 10 é formado principalmente por músicas de funk e pagode. A análise da Pró-Música considerou dados de Spotify, YouTube, Deezer, Apple Music, Amazon Music e Napster.
Em 2025, o pagode desbancou sete anos consecutivos de liderança absoluta da música sertaneja nas plataformas de áudio. A faixa “P Do Pecado (Ao Vivo)”, do Grupo Menos é Mais com participação de Simone Mendes, chegou ao topo, marcando a inversão de tendência.
Diante desse cenário, artistas brasileiros intensificam viagens a Nashville, nos Estados Unidos, para gravações de clipes, composições e projetos especiais, buscando uma conexão com o country americano. Em 2026, a própria música‑tema da Festa do Peão reflete esse movimento: Gusttavo Mioto gravou "Drunk Side", composição em inglês que tenta aproximar os dois universos musicais.
Fernando & Sorocaba também exploraram a influência americana em seu álbum "Nash" e, em 2025, tornaram‑se a primeira dupla brasileira a se apresentar no Grand Ole Opry, um dos principais palcos da música country nos Estados Unidos.
Entre os nomes da nova geração, Ana Castela aposta na mistura de referências. Seus álbuns "Let's Go Rodeo" e "Fire Arena" incorporam elementos do sertanejo, country, pop e funk, mas mantêm as letras em português.
Mesmo com esses esforços, ainda não surgiram no Brasil novos nomes com o mesmo poder de atração dos grandes medalhões do sertanejo. Para se diferenciar, a organização da Festa do Peão aposta em transformar o show em uma experiência exclusiva. Jerônimo Luiz Muzetti, presidente da associação Os Independentes, responsável pela festa, destaca que repetir a mesma apresentação feita em outra cidade não basta: "Não adianta ele vir aqui e cantar, falar a mesma frase que falou na festa vizinha. Aqui tem que ser algo diferente. Inverte a seleção de músicas, muda o lado do palco, faz algo especial. A entrega de Barretos tem que ser diferente."
Um dos retornos mais aguardados para a edição de 2026 é o de Gusttavo Lima, que volta ao evento com duas apresentações diferentes, reforçando a estratégia de exclusividade. Além disso, a organização diversifica a grade com outros gêneros musicais e negocia atrações internacionais do country para próximas edições, embora a desvalorização do real frente ao dólar seja um obstáculo nas contratações.
Com informacoes de G1.

