B3 Sobra Expectativas e Atinge Lucro Líquido Recorrente de R$ 1,4 Bilhão

Por Ronaldo Batista Souza em Rio Verde, GO 11/08/2026 21:25
B3 Sobra Expectativas e Atinge Lucro Líquido Recorrente de R$ 1,4 Bilhão

Foto: via Money Times

A Bolsa de Valores de São Paulo (B3) encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido recorrente de R$ 1,4 bilhão, avanço de 8% na comparação com o mesmo intervalo de 2025. Os dados do segundo trimestre deste ano foram divulgados pela bolsa na terça-feira (11).

O montante veio praticamente em linha com as estimativas compiladas pela LSEG, que apontavam para lucro líquido de R$ 1,46 bilhão. A receita total da B3 chegou a R$ 3,1 bilhões, crescimento de 12,2% ante 2025, em um trimestre marcado pelo aumento dos volumes no mercado de ações e pela retomada das ofertas públicas, com o primeiro IPO após cinco anos de seca no mercado — da Compass (PASS3).

As receitas pró-cíclicas, compostas por derivativos e renda variável, subiram 7,9% e as receitas recorrentes tiveram alta de 17,3%. A combinação ajudou a reduzir a dependência dos resultados da B3 das oscilações dos mercados, segundo a administração.

As despesas somaram R$ 975,6 milhões, aumento de 15,5% na base anual. A companhia apurou lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) recorrente de R$ 1,9 bilhão, com margem de 70%. O trimestre também marcou uma mudança no comando da companhia. Em junho, a B3 anunciou Christian Egan como novo CEO.

O mercado de renda variável foi um dos principais motores do trimestre. O volume financeiro médio diário negociado no mercado à vista chegou a R$ 31,3 bilhões, alta de 20,1% sobre o segundo trimestre de 2025. O volume médio diário de ações cresceu 21,2%, para R$ 26,9 bilhões.

Entre outros instrumentos, os BDRs avançaram 41,8%, para R$ 1,3 bilhão por dia, enquanto os fundos listados tiveram alta de 73,6%, para R$ 611 milhões. O volume de opções sobre ações e índices aumentou 54%, para R$ 1,2 bilhão por dia.

A principal razão foi a queda de 84,5% no volume de futuros de criptoativos, associada às mudanças nas margens exigidas e ao menor nível de atividade nesse mercado. Em contrapartida, o volume de contratos de juros em reais cresceu 6,7% e o de índices de ações aumentou 20,4%.

As ofertas públicas movimentaram R$ 11,6 bilhões no trimestre, sendo R$ 3 bilhões em um IPO e R$ 8,6 bilhões em follow-ons. Foi o primeiro IPO registrado pela B3 em cinco anos.

O aumento das ofertas também ajudou a receita de Listagem e Soluções para Emissores, que chegou a R$ 43 milhões, alta de 25,8% sobre um ano antes. A companhia atribui o crescimento principalmente ao maior volume de IPOs e follow-ons e aos reajustes das tarifas de listagem.

A renda fixa manteve trajetória de crescimento. As emissões de instrumentos de captação bancária aumentaram 5,2%, enquanto o estoque médio desses instrumentos avançou 18,4%. O estoque médio de debêntures cresceu 14,4%. O Tesouro Direto também ampliou sua base.

O número médio de investidores chegou a 3,46 milhões, alta de 14,7%, enquanto o estoque médio subiu 43,7%, para R$ 236 bilhões. A receita de Renda Fixa e Crédito foi de R$ 385,5 milhões, crescimento de 17,2%. Já Soluções para Mercado de Capitais gerou R$ 201 milhões, alta de 25,8%.

As despesas totalizaram R$ 975,6 milhões, alta de 15,5% em um ano. Segundo a B3, o avanço foi influenciado por despesas não recorrentes relacionadas às mudanças na Diretoria Executiva e pelos custos associados à alteração no modelo de cobrança do Sistema Nacional de Gravames (SNG).

Considerando as despesas ajustadas, o crescimento foi de 6,2%. A despesa com pessoal e encargos subiu 22%, para R$ 459,8 milhões, enquanto os gastos com tecnologia da informação avançaram 6,8%, para R$ 186,1 milhões.

A B3 investiu R$ 55,3 milhões no trimestre e R$ 112 milhões no acumulado do ano. B3 distribui R$ 1,3 bilhão aos acionistas A companhia anunciou R$ 1,106 bilhão em juros sobre capital próprio (JCP) no trimestre, dos quais R$ 750 milhões são extraordinários, referentes a saldos não utilizados em exercícios anteriores.

Somadas as recompras de ações de R$ 196,9 milhões, as distribuições aos acionistas chegaram a R$ 1,303 bilhão. Outro efeito relevante sobre o resultado veio da venda da participação da B3 na Dimensa. A companhia exerceu a opção de venda de sua participação de 37,5% por R$ 665 milhões, operação que gerou um efeito positivo não recorrente de R$ 123,9 milhões no resultado do trimestre.

Com informacoes de Money Times.

Ronaldo Batista Souza

Sobre o Autor: Ronaldo Batista Souza

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