Atlético-MG oferece tradutor e suporte 24h para a adaptação de Mamady Cissé, jovem da Guiné
No dia 8 de maio de 2025, o tradutor e professor de francês Benjamin Lelaidier aguardava no aeroporto de Confins, próximo a Belo Horizonte, a chegada de Mamady Cissé, de 18 anos, natural da Guiné. O atleta desembarcou sozinho, tímido, sem falar português e carregando apenas uma bagagem de mão.
Identificado pelo Atlético‑MG enquanto estava na Nigéria, Cissé foi trazido ao Brasil para integrar as categorias de base. Em menos de um ano, passou da base ao profissional, renovou contrato, aprendeu algumas palavras em português e passou a morar em Minas Gerais.
Lelaidier descreveu que sua primeira missão foi fazer o jovem se sentir acolhido. Em poucos dias, eles desenvolveram uma relação de confiança – o tradutor o chamava de "filho" e Cissé o chamava de "papai". O acompanhamento durou cerca de seis meses, período em que o garoto ainda não falava português e precisava de auxílio para tarefas cotidianas, como comprar um tablet ou abrir uma conta bancária.
O clube chegou a avaliar a possibilidade de o tradutor morar na Cidade do Galo para estar ainda mais próximo. Durante os treinos, Lelaidier permanecia à beira do campo aguardando o técnico para repassar as orientações ao jogador, tentando transmitir a mesma energia do treinador. Ele também acompanhava Cissé nos jogos e nas atividades diárias.
No sub‑20, a integração contou com o apoio dos companheiros de equipe. O meia Pedrinho, de 19 anos, foi o principal aliado de Cissé, levando‑o para conhecer Belo Horizonte, visitar um shopping, passear na Lagoa da Pampulha, conhecer um barbeiro de confiança e assistir a partidas do Galo. Pedrinho relatou que, ao perceber o boato de que um garoto africano chegaria, tentou conversar em inglês e contou com a ajuda do tradutor para facilitar a comunicação.
Além das atividades de lazer, Pedrinho recebeu Cissé em sua casa para jogar videogame; sua mãe preparou uma feijoada e um cachorro‑quente para o visitante, reforçando o apoio 24 horas oferecido pelo clube.
O suporte institucional ficou a cargo da assistência social, liderada por Neila Bittencourt, e do setor Player Care, coordenado por Mateus Salomão. O Player Care, cada vez mais presente no futebol brasileiro, tem como objetivo auxiliar o atleta em questões fora de campo, como moradia, família, escola para filhos e adaptação cultural.
Segundo Salomão, a base realizou a maior parte do acompanhamento inicial, e, ao chegar ao elenco profissional, foram feitas reuniões para mapear a rotina do atleta e garantir sua integração ao grupo. "Nosso objetivo é compreender a rotina dele e tudo que contribui para sua inserção no elenco", afirmou.
Cissé nasceu na Guiné, onde falava o dialeto sisu em casa e estudou em francês. As aulas de português foram introduzidas gradualmente, com professores particulares que adaptaram a metodologia ao seu perfil. Neila Bittencourt monitorava o progresso de acordo com a programação do clube, oferecendo suporte sempre que surgiam dúvidas e acompanhando o uso da plataforma de ensino. Ela destacou que o jovem evoluiu rapidamente, passando de um sorriso tímido a um "sorrisão".
Para incentivar o aprendizado, o gerente do clube, Pedro Moreira, instituiu uma brincadeira diária: Cissé deve escrever cinco palavras que aprendeu, podendo ser termos relacionados ao futebol, a viagens ou ao cotidiano. O momento foi registrado em vídeo e divulgado nas redes do clube.
Hoje, Mamady Cissé atua como volante no Atlético‑MG, demonstrando confiança tanto dentro quanto fora das quatro linhas, graças ao acompanhamento intensivo de tradutor, equipe técnica, colegas de equipe e departamentos de apoio ao atleta.
Com informacoes de ge.

